A polícia de choque de Portugal realizou uma operação na madrugada deste domingo (1) para retirar dezenas de barracas de manifestantes que protestavam contra a crise habitacional no país. A ação, que ocorreu em Lisboa e no Porto, terminou em confrontos, uso de cassetetes e um total de 13 prisões.
Despejos e confronto nas praças centrais As forças de segurança avançaram por volta das quatro e meia da manhã. Na capital portuguesa, dezenas de policiais, incluindo agentes com cães, desmantelaram o acampamento montado na Praça do Rossio. Simultaneamente, uma operação semelhante foi executada na Praça Dom João Primeiro, situada no Porto.
Durante o avanço policial, os manifestantes protestaram gritando “Isso está cheirando a ditadura” e “Somos pacíficos”.
De acordo com as autoridades locais, seis indivíduos foram detidos em Lisboa e outros sete no Porto por desobediência às ordens de desocupação das áreas públicas.
Balanço de feridos e agressões A corporação policial informou que os participantes do protesto lançaram garrafas, tinta e artefatos pirotécnicos contra os agentes. O balanço oficial aponta que 13 policiais sofreram ferimentos, sendo que oito precisaram ser hospitalizados. Além disso, três policiais à paisana teriam sofrido agressões no Porto.
Por outro lado, os organizadores contestam os números oficiais. O grupo Acampada Lisboa relatou que mais de 30 pessoas ficaram feridas durante a intervenção, com dez manifestantes necessitando de atendimento médico em hospitais.
Origem dos protestos e críticas ao governo Os acampamentos foram erguidos após atos pacíficos que denunciavam a disparada nos preços dos imóveis e dos aluguéis em território português.
O movimento social direciona críticas ao governo de centro-direita, cujos planos incluem facilitar processos de despejo e eliminar os tetos de valor para novos contratos de locação. Os cidadãos manifestam receio de que tais alterações legislativas elevem ainda mais o custo de vida e desamparem os inquilinos.
A mobilização em solo português inspira-se em táticas adotadas na Espanha, onde acampamentos semelhantes persistem há semanas em Madri e em outras localidades espanholas.






