O estado de Roraima contabilizou 2.107 focos de calor entre janeiro e o último domingo (11), conforme levantamento do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O volume representa um salto de 36,9% em comparação aos 1.539 registros contabilizados em todo o ano anterior, 2025.
Entenda o cenário atual de estiagem Os focos de calor correspondem a áreas marcadas por ressecamento e temperaturas elevadas que propiciam o surgimento de chamas. Atualmente, a região atravessa a temporada de seca, com previsão de continuidade até o mês de abril, mantendo o território sob decreto de situação de emergência em decorrência da estiagem prolongada.
Apenas nos primeiros dez dias de outubro, os radares captaram 132 ocorrências, sendo que 72 delas se concentraram entre a sexta-feira (9) e o sábado. Em 2026, março liderou o ranking mensal com 602 registros, seguido por abril com 257 e junho com apenas seis casos, período em que o estado sofreu com temporais e alagamentos que afetaram nove municípios e impactaram 49 mil pessoas.
Impacto de fenômenos climáticos na Região Norte O panorama de queimadas se estendeu por outros estados nortistas. O Pará liderou as estatísticas nacionais de 2026 com 15.051 registros do Inpe, com incêndios florestais que ameaçaram residências no oeste paraense. No Amazonas, setembro acumulou 3.726 focos — quase quatro vezes o volume computado em setembro de 2025 —, gerando forte poluição atmosférica e densas nuvens de fumaça.
Em Roraima, o governo estadual formalizou a situação de emergência por estiagem em 2 de setembro, data em que também instituiu um comitê integrado para mitigar os impactos do El Niño. Esse fenômeno climático decorre do aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico, alterando ventos, temperaturas e o regime de chuvas globalmente.
Queda no nível dos rios e prejuízos na agricultura Como reflexo direto da estiagem, o Rio Branco — principal curso d’água do estado — registrou queda de 38 centímetros no intervalo de um mês, atingindo a marca de 60 centímetros em Boa Vista na última segunda-feira (12), conforme a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer). Em meados de setembro, o nível estava em 98 centímetros.
Para conter o desabastecimento, a Caer iniciou em 7 de outubro a abertura de novos poços artesianos e o emprego de caminhões-pipa na capital e no interior. Paralelamente, o setor produtivo apontou uma retração histórica de 30% a 50% na safra agrícola de 2026, motivada pela escassez severa de chuvas registrada desde o mês de julho.






