O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo divulgou novos dados alarmantes neste sábado, 31, revelando que o surto de ebola no país já provocou 5.026 mortes. Com um total de 10.351 pessoas infectadas, a epidemia apresenta uma taxa de letalidade de quase 50%, embora 2.788 pacientes tenham conseguido se recuperar.
O segundo mais mortal da história
Iniciado em meados de maio e provocado pelo vírus Bundibugyo, o evento epidemiológico se consolida como o segundo maior em número de óbitos no mundo, ficando atrás apenas da crise sanitária na África Ocidental entre 2014 e 2016, que vitimou 11 mil pessoas. A disseminação atingiu 67 das 178 zonas de saúde congolesas, espalhando-se por oito províncias, com forte concentração nas regiões de Ituri e Kivu do Norte, locais que concentram 9.782 diagnósticos e 4.792 óbitos.
“É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). “São famílias e comunidades devastadas por esse surto”.
Desafios no atendimento e barreiras logísticas
Conforme apontado pelos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos infectados estão fora das redes de monitoramento de contato, dificultando drasticamente o controle epidemiológico. Além disso, um terço das vítimas fatais não passou por centros de tratamento e acabou falecendo antes mesmo de realizar testes laboratoriais.
“São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto. Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?”, questionou o representante da OMS.
A contenção da moléstia esbarra ainda em greves de profissionais da saúde sem salários — como a paralisação registrada por funcionários em Tchomia —, na resistência popular às medidas sanitárias e na instabilidade gerada por conflitos armados no leste congolês.
Expansão geográfica e características do vírus
Ultrapassando as fronteiras nacionais, a infecção alcançou outros territórios africanos, com registros em Uganda, Quênia e Nigéria, tornando-se o surto de maior alcance geográfico no continente. O agente causador, pertencente à família Filoviridae, é uma zoonose com transmissão associada a morcegos frugívoros e disseminada entre humanos pelo contato direto com fluidos corporais.
Os sinais clínicos incluem febre alta repentina, cefaleia, dores musculares, astenia, distúrbios gastrointestinais e quadros hemorrágicos graves. Como a cepa Bundibugyo difere da espécie Zaire — combatida com imunizantes em epidemias passadas —, tratamentos e vacinas tradicionais não possuem eficácia comprovada, restando aos hospitais apenas o suporte clínico para aliviar os sintomas dos enfermos.






