A trajetória de Warren Buffett na história financeira global começou a tomar forma em 1940, quando, aos 10 anos, fez uma viagem pela Costa Leste dos Estados Unidos ao lado do pai, Howard Buffett, corretor em Omaha. Na ocasião, o menino visitou uma loja de selos e moedas, uma fábrica de trens de brinquedo e a Bolsa de Valores de Nova York, onde observou de perto a dinâmica do mercado financeiro e o luxo cotidiano dos magnatas da época.
De entregas de jornais a Benjamin Graham Pouco depois da viagem, o jovem encontrou a obra “Mil maneiras de ganhar mil dólares” em uma biblioteca e passou a calcular a progressão geométrica dos lucros. Nos anos seguintes, trabalhou entregando jornais e acumulou cerca de US$ 10 mil antes de completar 19 anos.
A guinada profissional ocorreu em 1950, quando ingressou na Universidade Columbia para estudar com Benjamin Graham, autor de “O Investidor Inteligente”. O método de Graham consistia em analisar o balanço patrimonial das companhias para encontrar ações negociadas abaixo do seu valor real de mercado. Após ter o primeiro pedido de emprego negado devido a políticas da época em Wall Street, Buffett foi convidado em 1954 para trabalhar na Graham-Newman, onde aplicou diariamente os ensinamentos do mentor até a aposentadoria deste, em 1956.
A aquisição da Berkshire Hathaway Com cerca de US$ 140 mil acumulados, Buffett retornou a Omaha e criou uma sociedade de investimentos. Em 1962, identificou o potencial de uma fabricante de tecidos em declínio, a Berkshire Hathaway, cujas ações custavam menos do que o capital de giro disponível.
Após um desentendimento com o presidente da empresa por causa de uma pequena diferença de preço por ação, Buffett decidiu comprar mais papéis e assumiu o controle da tecelagem em 1965. Anos mais tarde, ele próprio classificaria essa manobra como uma decisão “monumentalmente estúpida”, já que o plano inicial era apenas lucrar com a revenda rápida.
O conselho decisivo de Charlie Munger A reviravolta estratégica veio pelas mãos do advogado Charlie Munger, que convenceu o amigo a mudar de abordagem nos investimentos. O parceiro foi direto: “Esqueça a ideia de comprar outra empresa como a Berkshire”, aconselhou. “Agora que você controla a Berkshire, acrescente a ela empresas excelentes compradas a preços justos e pare de comprar empresas razoáveis a preços excelentes.”
A aplicação prática dessa filosofia começou em 1972 com a aquisição da See’s Candies por US$ 25 milhões. A força da marca permitia reajustes de preços sem perda de clientes e exigia pouco reinvestimento operacional, gerando bilhões em lucros ao longo das décadas que alimentaram o caixa da Berkshire.
A estratégia das seguradoras e o fim de uma era A partir de 1967, o conglomerado passou a incorporar seguradoras. O modelo permitia investir os prêmios pagos pelos clientes antes que as indenizações fossem requisitadas, fazendo o volume de recursos saltar de cerca de US$ 20 milhões para US$ 171 bilhões em 2024. Enquanto a gestão operacional permanecia descentralizada, as decisões financeiras seguiam concentradas no topo, com uma equipe corporativa extremamente enxuta.
Entre 1965 e 2024, a holding distribuiu dividendos em dinheiro apenas uma vez, preferindo reinvestir o excedente. Em 2023, aos 92 anos, o investidor ponderou que a maior parte de suas escolhas foi apenas razoável e que “grandes doses de sorte” salvaram algumas falhas.
Com o patrimônio líquido saltando de US$ 22 milhões em 1965 para um lucro operacional de US$ 47 bilhões em 2024, a gestão da Berkshire passou por uma transição definitiva. No fim de 2025, Buffett deixou a liderança executiva para Greg Abel, que assumiu o cargo máximo em 1º de janeiro de 2026, encerrando seis décadas à frente do conglomerado.






