O município de Ponta Grossa, situado na região dos Campos Gerais do Paraná, deu início neste mês de outubro à liberação de insetos da espécie Aedes aegypti infectados com uma bactéria que impede a proliferação dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
Nova biofábrica na região Para viabilizar a estratégia, a cidade inaugurou uma biofábrica exclusiva para a preparação e finalização dos animais que integram o chamado Método Wolbachia. A estrutura local conta com um núcleo de produção próprio para o desenvolvimento dos insetos, popularmente chamados de Wolbitos, desde a etapa de ovo até a fase adulta que antecede a soltura na rua.
Como funciona a tecnologia O mecanismo por trás da iniciativa, esclarece a prefeitura municipal, baseia-se no acasalamento desses vetores modificados com a população nativa, transmitindo o micro-organismo para os descendentes e estabelecendo, com o tempo, uma colônia incapaz de disseminar enfermidades. O polo municipal recebe cápsulas contendo ovos e ração enviados por outra unidade; ao entrarem em contato com a água, os ovos eclodem e completam o ciclo até a idade adulta, momento em que são recolhidos e distribuídos por automóveis em itinerários preestabelecidos.
Parceria e cronograma de liberação O projeto é fruto de uma coalizão estratégica entre a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a organização Wolbito do Brasil. As atividades de campo começaram em 20 de outubro e seguirão de forma escalonada durante 26 semanas, alcançando 5,3 mil locais estratégicos espalhados pelo Centro e por bairros populosos como Uvaranas, Oficinas, Cará-Cará, Contorno, Colônia Dona Luiza, Chapada e Ronda.
“Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói (RJ), por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%”, diz a prefeitura.
Expansão do combate biológico Com a consolidação desta frente de controle biológico em Ponta Grossa, as autoridades de saúde esperam conter drasticamente as estatísticas de arboviroses na região paranaense, seguindo o padrão de sucesso já observado em outras localidades do país que adotaram o mesmo modelo de proteção urbana.






