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Franca investe R$ 35 milhões em obras de drenagem para evitar enchentes

Obras de R$ 35,9 milhões buscam conter enchentes históricas em Franca; veja o 'raio-x' dos projetos

Com a chegada da primavera, o alerta para tempestades severas volta a preocupar os moradores de Franca (SP), recordando o temporal de janeiro que despejou mais de 80 milímetros de chuva em apenas duas horas e paralisou vias importantes. Para prevenir novos estragos, a administração municipal conduz três intervenções de drenagem urbana financiadas por verbas federais e municipais, totalizando R$ 35,9 milhões em investimentos.

Cronograma e fiscalização das obras Embora os trabalhos sigam o cronograma estabelecido, a conclusão de todas as frentes está programada apenas para o intervalo entre 2026 e 2027. Dados do Portal da Transparência indicam que pouco mais de R$ 1 milhão já foi repassado às empresas responsáveis. Recentemente, as equipes concentraram esforços na remoção de antigas travessias, colocação de pranchas metálicas e medidas de estabilização do solo.

Willian Karan Junior, coordenador executivo do Observatório Social do Brasil (OSB) em Franca, aponta que realizar intervenções durante o período chuvoso exige cautela rigorosa para que os canteiros não gerem novos gargalos no fluxo da água.

“Alguns trechos já executados podem produzir benefícios localizados, especialmente onde houve ampliação da seção do canal ou melhoria das estruturas de drenagem. Entretanto, enquanto o conjunto não estiver concluído e integrado, não é possível afirmar que as obras oferecerão toda a capacidade de proteção prevista no projeto”, afirma.

O especialista também enfatiza que escavações, desvios provisórios e o armazenamento de materiais exigem vigilância contínua.

“Uma obra incompleta não deve ser considerada, por só só, uma proteção integral contra enchentes”, acrescenta.

Raio-x do Córrego dos Bagres A intervenção neste trecho abrange o alargamento do canal na Avenida Doutor Antônio Barbosa Filho, entre a Rua Simão Caleiro e a Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, além da substituição de uma ponte antiga por uma nova estrutura no encontro com o Córrego Cubatão para evitar o represamento. Orçada inicialmente em R$ 24.789.222,77, a obra foi contratada em fevereiro de 2026 com a Tessalia Construtora e Incorporadora por R$ 22.750.000,00, com entrega prevista para agosto de 2027. Até o momento, foram liberados R$ 299.940,31, equivalente a 1,31% do total.

Entre as etapas já concluídas pelos operários estão a perfuração para instalação de tubulões, a montagem de formas de concreto para as vigas de encabeçamento, o estaqueamento de placas metálicas e a reta final da demolição das paredes antigas. Atualmente, ocorrem interdições parciais no trânsito, preparativos para montar uma parede provisória de desvio de água e o nivelamento do leito do córrego para receber as peças pré-moldadas.

Sobre os repasses financeiros, o coordenador do OSB pontua que o baixo valor liberado não aponta atrasos.

“O percentual pago não deve ser automaticamente tratado como percentual físico da obra, pois o pagamento ocorre após medição e liquidação financeira”, afirma Willian Karan.

Detalhes do Córrego Cubatão O projeto neste local foca no aprofundamento e alargamento do leito sob o viaduto das avenidas Major Nicácio e Doutor Ismael Alonso y Alonso, nas proximidades da Uni-Facef, visando aumentar a vazão hídrica. A obra foi licitada por R$ 10.968.259,63 e contratada em maio de 2026 com a Planex Engenharia por R$ 10.264.900,00, com prazo até maio de 2027, embora ainda não constem valores pagos nos registros públicos.

As equipes já finalizaram a escavação para ampliar o canal e a instalação de tapumes de madeira para segurança. No momento, o trabalho envolve a técnica de jet grouting para injetar cimento sob alta pressão e firmar o solo, gerando bloqueios parciais no tráfego local. O representante do OSB esclarece que a ausência de pagamentos visíveis decorre de trâmites burocráticos.

“A ausência momentânea de pagamento registrado não significa ausência de execução, pois pode haver serviços realizados em processo de conferência”, explica Karan.

Situação no Jardim Palmeiras Esta frente envolve serviços de drenagem, aprofundamento e alargamento de um canal afluente do Córrego Engenho Queimado para barrar erosões e proteger residências. Orçado em R$ 3.332.270,60, o lote foi contratado em fevereiro de 2026 com o Consórcio Excoima Infraestrutura e Pavimentações por R$ 2.900.000,00, com término agendado para outubro de 2026. Com 25,99% de execução financeira, foram pagos R$ 753.911,27.

Os trabalhadores já concluíram a limpeza de gabiões e a instalação de uma caixa de passagem de concreto. O próximo passo será a construção de uma nova travessia na Rua Anésio Basílio dos Santos. Sendo a etapa mais avançada financeiramente, o local apresenta melhor visibilidade nos progressos, embora o OSB recomende prudência na análise global do sistema de escoamento.

“O estágio visível e os registros indicam avanço relevante no Jardim Palmeiras, mas o percentual financeiro não deve ser automaticamente convertido em percentual físico, já que etapas diferentes têm pesos financeiros distintos e todo o sistema precisa estar integrado”, avalia o coordenador do OSB.

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