A Justiça do Maranhão concedeu liberdade provisória a Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade, de 41 anos, após 12 dias de reclusão em São Luís. A suspeita responde por comercializar passagens aéreas e pacotes turísticos falsificados. O alvará de soltura foi assinado pelo desembargador Raimundo Neres, que acatou a argumentação apresentada pela defesa.
Esquema com inteligência artificial
Conforme apurado pelas autoridades policiais, a investigada recorria a ferramentas de inteligência artificial para forjar comprovantes de pagamento. Os pacotes fraudulentos alcançavam a cifra de R$ 10 mil cada. O dano financeiro total é calculado em quase R$ 200 mil, atingindo ao menos 13 vítimas inicialmente, embora o inquéritoponha o número de pessoas lesadas em cerca de 30 desde o início das atividades ilícitas em 2024.
Mesmo respondendo ao processo fora da prisão, Alynne precisará cumprir exigências cautelares estabelecidas pela Justiça, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica. Por sua vez, a defesa declarou que ela sempre esteve à disposição da Justiça e das autoridades envolvidas na apuração dos fatos. Sobre as acusações relacionadas à venda de passagens aéreas e pacotes de viagens, informou que as questões serão esclarecidas no decorrer do processo, com a apresentação das provas pertinentes.
Modus operandi e falsas promessas
A investigada prometia um formato de viagem anual em que o cliente arcaria apenas com as taxas de embarque, mediante o pagamento prévio de uma taxa que oscilava entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. O delegado Victor Machado pontuou que o passado profissional da suspeita facilitava a abordagem. “Por saberem que ela trabalhava numa companhia aérea, as pessoas acreditavam no benefício oferecido, que seria um pacote de viagens. A pessoa precisava pagar um valor fixo, em média R$ 10 mil, e teria direito a emitir cerca de 10 passagens por ano”, explicou o delegado.
O esquema afetou perfis vulneráveis, como idosos, gestantes e crianças, que chegaram a comparecer a terminais aeroportuários em horários impróprios sem conseguir embarcar. Para encobrir as fraudes, a autora dos crimes culpava falhas sistêmicas ou problemas de overbooking. As autoridades também verificaram o uso de contas bancárias de terceiros, igualmente ludibriados, para ocultar a movimentação direta dos valores ilícitos, além de indícios da participação de um possível cúmplice.
Antecedentes e recomendações policiais
Registros criminais apontam que a mulher já possuía condenação por estelionato datada de 2012. A Polícia Civil segue recolhendo depoimentos e orienta que novos prejudicados procurem a Delegacia de Defraudações. A corporação recomenda cautela redobrada com ofertas turísticas muito abaixo da média de mercado, sugerindo a confirmação prévia junto às companhias aéreas antes de qualquer transação financeira.






