O presidente do PL, Valdemar Costa Neto declarou nesta quinta-feira (29) que reprova o conteúdo da carta de teor golpista divulgada pelo candidato derrotado da legenda à Presidência, Flávio Bolsonaro. A declaração foi dada durante a chegada do dirigente para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Até então, o líder partidário ainda não havia se pronunciado publicamente sobre o manifesto.
Repórter: Presidente, o que você achou da carta do Flávio ontem, presidente? Valdemar Costa Neto: Não gostei. Repórter: Não gostou? Valdemar Costa Neto: Não.
Publicação e repercussão no cenário político
Na quarta-feira (28), Flávio publicou duas versões de carta através de suas redes sociais. Na primeira postagem, feita às 17h19 com tom golpista, ele se autoproclamou “o verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. Posteriormente, o documento foi alterado para apresentar a alcunha de “líder do Brasil”. Contudo, o texto manteve trechos que contestam o resultado das urnas e reiteram alegações sem provas de fraude no pleito.
Ao deixar a residência de Jair Bolsonaro, Valdemar voltou a criticar o manifesto nas redes.
“Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova isso. Queremos tocar a vida para frente. Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. O Flávio passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, diz Valdemar Costa Neto.
Questionado pelos jornalistas se Flávio havia se despedido do pai antes de deixar o país rumo aos Estados Unidos, o presidente do PL confirmou o encontro.
Repórter: Flávio se despediu do pai dele? Valdemar Costa Neto: Lógico, ele veio no dia seguinte.
Em seguida, Valdemar negou que o ex-presidente tivesse conhecimento prévio da viagem: “Ele veio para ver o pai. Não sabia que ia. Nem o Bolsonaro sabia que ia. Ninguém sabia”.
Posicionamento dos partidos e investigação
Enquanto isso, a movimentação política seguiu isolando a iniciativa. O PT e outros 26 dos 30 partidos políticos brasileiros, abrangendo diversos espectros ideológicos, reconheceram o resultado das urnas — incluindo legendas que apoiaram Flávio. O PL oficializou o reconhecimento da reeleição na segunda-feira (26). Apenas o Mobiliza permaneceu sem manifestação, ao passo que o Novo adotou postura contrária, com o presidente da sigla protocolando pedidos de cassação da chapa vencedora.
Contradizendo as teses de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial, afirmou na quarta-feira (28) que não existem elementos comprobatórios de irregularidades.
Repórter: O PL considera que houve fraude eleitoral? Rogério Marinho, senador: Não. O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido.
Nomes de destaque da direita, como o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) e a senadora Teresa Cristina (Progressistas), também saíram em defesa da legitimidade do processo eleitoral.
Investigação sobre a saída do país
Por sua vez, a Polícia Federal aponta que a viagem de Flávio demonstra o descumprimento de ordem emanada pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que ele não entregou seus passaportes. A corporação ainda não dispõe de confirmação oficial acerca de eventual auxílio de governos estrangeiros para a travessia da fronteira, mas ressalta que indícios de interferência externa na democracia brasileira serão rigorosamente apurados em inquérito.






