A dívida bruta do setor público do Brasil encerrou o mês de setembro em R$ 11,1 trilhões, o que representa 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, conforme balanço divulgado pelo Banco Central (BC).
Como funciona o cálculo da dívida bruta
O indicador engloba todas as contas que o governo precisa quitar, somando as obrigações da União, dos Estados e dos municípios junto a bancos, cidadãos e credores internacionais, sem abater as reservas financeiras guardadas.
Essa métrica funciona como um termômetro essencial para avaliar a solvência do país, medindo a real capacidade estatal de honrar seus compromissos financeiros futuros. Desse modo, patamares elevados ampliam a percepção de risco de calote caso o cenário econômico venha a se deteriorar.
Evolução do endividamento federal
Desde o começo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, o indicador tem seguido uma trajetória de alta contínua.
Em dezembro de 2022, na conclusão da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o endividamento bruto equivalia a 71,7% do PIB, configurando um salto de 11,2 pontos percentuais até o momento.
Com esse patamar, o país registra o maior nível de endividamento bruto em relação ao PIB desde março de 2021, período mais crítico da crise sanitária global.
O índice atual aproxima-se do recorde histórico de 87,6% do PIB verificado em outubro de 2020. Somente no acumulado deste ano, a alta foi de 6,1 pontos percentuais.
Comportamento da dívida líquida e contas públicas
No que tange à Dívida Líquida do Setor Público não financeiro, o montante alcançou 70% do PIB em setembro, totalizando R$ 9,4 trilhões, ante os 69,3% registrados no mês anterior.
Esse indicador subtrai os créditos das obrigações brutas, reunindo informações da União, governos regionais, Banco Central e empresas estatais para revelar o endividamento real perante o mercado privado e estrangeiro.
Paralelamente, o setor público consolidado fechou o mês de setembro com um déficit primário de R$ 5,5 bilhões, revertendo parcialmente o resultado negativo de R$ 17,5 bilhões contabilizado em igual período de 2025.
Enquanto a União obteve superávit de R$ 3,5 bilhões, os governos estaduais reportaram déficit de R$ 5,6 bilhões, e as estatais registraram saldo negativo de R$ 3,4 bilhões.






