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Dívida bruta do governo se mantém em 82,9% do PIB em setembro

Dívida bruta fica em 82,9% do PIB, diz Banco Central

A Dívida Bruta do Governo Geral encerrou o mês de setembro de 2026 estabilizada em 82,9% do Produto Interno Bruto, repetindo o patamar registrado em agosto. Conforme os números divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29), o endividamento total do país chegou a R$ 11,1 trilhões.

Evolução e impacto histórico do endividamento

Mesmo com a estabilidade observada na passagem mensal, a dívida acumula um avanço de 4,3 pontos percentuais do PIB ao longo de 2026. Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023 — quando o indicador marcava 71,7% —, a alta acumulada já chega a 11,2 pontos percentuais. O índice atual representa o maior patamar desde março de 2021, período em que o país registrava 85,1% em razão dos impactos da pandemia de covid-19 sobre as contas estatais.

O indicador engloba as contas do governo federal, do INSS e das administrações estaduais e municipais, servindo como termômetro essencial para analistas e investidores monitorarem a capacidade de solvência do Estado.

Fatores de alta e o peso dos juros nominais

De acordo com a autoridade monetária, o avanço da dívida no ano foi impulsionado sobretudo pela incorporação dos juros nominais, que adicionaram 7,2 pontos percentuais à relação com o PIB. As emissões líquidas de títulos responderam por mais 1,1 ponto percentual. Por outro lado, o crescimento do PIB nominal exerceu efeito contracionista, reduzindo o indicador em 3,9 pontos percentuais, enquanto a valorização cambial ajudou a encolher a dívida em 0,2 ponto percentual.

Somente no acumulado de 12 meses até setembro, os juros nominais do setor público consolidado alcançaram R$ 1,205 trilhão, o equivalente a 8,99% do PIB. Esse montante representa uma elevação de R$ 220,2 bilhões frente ao mesmo intervalo anterior, quando a cifra estava em R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB). A taxa básica de juros, a Selic, situada em 13,75% ao ano, segue encarecendo o serviço da dívida.

Dívida líquida recorde e deficit nominal

A Dívida Líquida do Setor Público subiu para 70% do PIB em setembro, somando R$ 9,4 trilhões. O resultado aponta um acréscimo de 0,7 ponto percentual em relação a agosto, renovando o recorde da série histórica do Banco Central, iniciada em dezembro de 2001. Diferentemente da modalidade bruta, a dívida líquida abate os ativos financeiros do setor público.

No front fiscal ampliado, o deficit nominal somou R$ 1,275 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro, representando 9,51% do PIB. Apenas no mês de setembro, o deficit nominal foi de R$ 113 bilhões, sendo que os juros nominais responderam por impressionantes 95,1% desse resultado negativo.

Desempenho do setor primário

Em sentido oposto à pressão dos juros, o deficit primário do setor público consolidado ficou em R$ 5,5 bilhões em setembro, exibindo uma melhora de R$ 12 bilhões na comparação com o resultado negativo de R$ 17,5 bilhões reportado em setembro do ano anterior. O governo central registrou superavit de R$ 3,5 bilhões, enquanto os governos regionais e as empresas estatais registraram deficits de R$ 5,6 bilhões e R$ 3,4 bilhões, respectivamente.

Sensibilidade econômica e simulações da Selic

O Banco Central também apresentou simulações sobre a sensibilidade do endividamento diante de choques em variáveis macroeconômicas. Conforme o levantamento, um corte de 1 ponto percentual na taxa Selic ao longo de 12 meses geraria uma economia de R$ 64,9 bilhões na dívida bruta (0,48 ponto percentual do PIB) e de R$ 70,8 bilhões na dívida líquida (0,53 ponto percentual do PIB). Os dados reforçam que, apesar de avanço em algumas frentes primárias, os encargos financeiros continuam exercendo forte pressão sobre o orçamento público.

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