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Inadimplência bancária atinge patamar recorde em setembro, aponta Banco Central

Inadimplência e endividamento das famílias são recorde em setembro, informa Banco Central

A taxa média de inadimplência total registrada pelas instituições financeiras nas operações de crédito ficou estacionada em 5% no mês de setembro, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Banco Central (BC).

Patamar histórico na série do BC

Com esse resultado, o índice manteve-se no maior patamar desde o início da série histórica revisada pela autoridade monetária, iniciada em março de 2011. O indicador do BC abrange transações com atraso superior a 90 dias, englobando tanto o setor corporativo quanto as pessoas físicas.

Analisando os segmentos separadamente, a inadimplência dos consumidores permaneceu em 6% em setembro, alcançando o maior nível da série histórica. Em contrapartida, o índice referente às empresas apresentou um recuo, passando de 3,4% para 3,3% no mês passado.

Avanço no endividamento das famílias

Paralelamente aos atrasos nos pagamentos, o endividamento dos lares no país chegou ao patamar inédito de 50,1% da renda anual em agosto de 2026, de acordo com as informações do órgão regulador. É a primeira vez que o indicador ultrapassa a barreira dos 50% da renda anual. Quando a série histórica teve início, em março de 2011, o percentual somava 34,9%.

Impacto dos programas de renegociação

Essa nova alta nos índices de calote ocorre durante o período eleitoral e mesmo após o governo ter implementado, em maio deste ano, o “Novo Desenrola Brasil”, também conhecido como Desenrola 2.0, voltado para a renegociação de débitos.

Além disso, na última semana, o governo revelou uma nova rodada do Desenrola com a expectativa de reestruturar R$ 150 bilhões em débitos. O plano consiste na aquisição de carteiras de crédito das instituições bancárias pela União com um deságio de 90%. Para isso, o planejamento prevê o desembolso de R$ 15 bilhões para comprar o montante de R$ 150 bilhões em dívidas.

O projeto focará em débitos de cartão de crédito — tanto no rotativo quanto no parcelado — e de empréstimo pessoal sem consignação. De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, serão consideradas dívidas de até R$ 10 mil.

Ações e alertas do Banco Central

No começo de setembro, o BC pontuou que, frente aos elevados juros praticados no país, o “endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas”. No documento da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), ocorrido no final de agosto, a autarquia afirmou que elabora estratégias para “mitigar riscos” ligados à forte presença de linhas de crédito mais onerosas nas dívidas domésticas.

“Essas medidas visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”, informou o Banco Central.

Como parte dessas ações, a instituição determinou na última semana que as propostas de empréstimo feitas pelos bancos dentro do ambiente do PIX precisarão de autorização prévia e específica do consumidor, respeitando um prazo mínimo de 24 horas entre a ativação e a primeira proposta.

A resolução também obriga os bancos a disponibilizarem uma ferramenta simples para o bloqueio de anúncios e propostas ativas, com vigência marcada para 31 de março de 2027. Conforme a autarquia, a nova norma fortalece as diretrizes e amplia a autonomia dos correntistas frente às publicidades de crédito que recebem.

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