A Polícia Civil do Paraná instaurou um inquérito policial para investigar a vereadora Salete Kronbauer (PP), do município de Nova Santa Rosa, localizado no oeste do estado. A parlamentar é suspeitada de praticar, induzir e incitar a discriminação e o preconceito após discursar na Câmara Municipal criticando nordestinos e baianos.
Investigação solicitada pelo Ministério Público
A abertura da investigação ocorreu após uma solicitação formal do Ministério Público do Paraná. A 2ª Promotoria de Justiça de Marechal Cândido Rondon encaminhou o pedido à autoridade policial na terça-feira (27), logo após tomar conhecimento das declarações proferidas durante a sessão legislativa realizada na segunda-feira (26).
Discurso com ataques e críticas a benefícios
Durante seu pronunciamento no plenário, a vereadora criticou a concessão de auxílios públicos e comentou o desdobramento de uma votação na Casa. Em trecho do discurso registrado em vídeo, a parlamentar disparou:
“Não estou dizendo que eu não vou mais ajudar. Mas eu não quero mais ver um nordestino, um baiano, vindo aqui na nossa cidade […] Cuide agora da sua vida lá”
Em outro trecho da mesma sessão, a investigada sugeriu que os habitantes locais teriam a obrigação de sustentar outras regiões e chegou a defender o desmembramento territorial do país:
“Porque os baianos, os nordestinos, enfim, assim o quiseram. E nós, ordeiros trabalhadores aqui, vamos ter que sustentar aqueles municípios, aqueles estados. E eu estou quase concordando. Gente, deveríamos nos unir e fazer a divisão desse país”
Defesa e nota de retratação
Diante da repercussão negativa, a defesa da política divulgou uma nota oficial na qual a própria envolvida admitiu o erro. Segundo o documento enviado à imprensa, a equipe jurídica destacou que a vereadora reconheceu que foi “infeliz em sua fala”. O comunicado oficial segue na íntegra abaixo:
“A vereadora Salete Kronbauer vem a público manifestar seu sincero arrependimento pelas declarações proferidas durante a sessão da Câmara Municipal de Nova Santa Rosa/PR realizada em 26 de outubro de 2026, reconhecendo que foi infeliz em sua fala e que suas palavras foram inadequadas e incompatíveis com os princípios de respeito e igualdade que sempre nortearam sua trajetória pública.”
“Ao longo de sua vida política, Salete sempre pautou sua atuação pelo compromisso de trabalhar em benefício de toda a população, sem qualquer distinção de origem, região, condição social ou convicção política.”
“Reconhecer um erro é o primeiro passo para repará-lo. Nesse sentido, a vereadora reconhece que suas declarações não condizem com seus princípios, suas atitudes e sua trajetória de dedicação à comunidade.”
“Por essa razão, pede sinceras desculpas a todos que, de alguma forma, se sentiram atingidos por suas declarações, reafirmando seu respeito a todos os brasileiros e à diversidade que constitui o nosso país.”
“Por fim, Salete reafirma seu compromisso de continuar trabalhando incansavelmente pelo bem coletivo, pela união, pelo respeito às diferenças e pela construção de uma sociedade mais justa, igualitária e com esperança para todos”
Previsão legal para o caso
De acordo com a Lei nº 7.716/1989, a prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito em razão da procedência nacional é crime punido com pena de reclusão de um a três anos, além de multa. O enquadramento definitivo da conduta da vereadora dependerá dos desdobramentos e da conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil.






