Um levantamento elaborado pela área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedido do presidente da Corte, Nunes Marques, concluiu que não foram localizadas postagens com conteúdos falsos no grupo de WhatsApp “Exército do Lula”.
Análise do material e exclusão de mensagens
O documento analisou postagens veiculadas entre 2 e 11 de outubro. No entanto, o texto aponta uma dificuldade na verificação completa devido à exclusão de registros antigos.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório.
O material indica que publicações feitas em setembro começaram a ser apagadas a partir do dia 7 de outubro, o que prejudicou a reconstituição do histórico do canal e a checagem integral do que foi veiculado no período.
Riscos apontados pela assessoria
Mesmo sem identificar mentiras específicas no recorte analisado, o chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Frederico Alvim, expressou preocupação com o impacto do disparo massivo de mensagens no período que antecede o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
Entre os perigos enumerados estão a alta capacidade de alcance dos textos, o volume expressivo de compartilhamentos e a estratégia coordenada para engajar adeptos na ampliação da divulgação. Para a equipe técnica, o tom adotado representa outro fator de alerta.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, afirma.
Contexto do canal e embate jurídico
Com mais de 3 milhões de inscritos, a ferramenta digital é coordenada pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG) com a finalidade de distribuir materiais de áudio, vídeo e diretrizes para simpatizantes da candidatura petista.
A controvérsia na Justiça Eleitoral teve início após representação da coligação de Flávio Bolsonaro, que argumentava que o espaço virtual disseminava inverdades contra o candidato.
Diante do impasse, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a ordem de suspensão emitida inicialmente por Nunes Marques e permitiu a reativação da ferramenta de mensagens, em medida liminar que ainda passará pelo crivo do plenário. Cueva vedou a republicação de inverdades já avaliadas pelo tribunal, sob pena de nova paralisação.
Repercussão entre os candidatos
As movimentações jurídicas geraram reações fortes dos concorrentes ao Palácio do Planalto. Em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente Lula classificou a interrupção inicial como descabida.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, disse Lula a jornalistas antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro sustentou que sua campanha sofre com ataques e argumentou ser vítima de um “canal de divulgação de mentiras em massa”, sem mencionar diretamente o nome da ferramenta.






