O governo brasileiro voltou a analisar os pedidos de autorização, conhecidos como agrément, para que novos embaixadores estrangeiros assumam seus postos no país. Entre os nomes que aguardam uma definição está o de Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos para chefiar a embaixada americana em território nacional.
O impasse sobre o visto diplomático
No caso de Perez, a gestão federal discute qual tipo de documento será concedido ao diplomata, levando em consideração as condições impostas pelos Estados Unidos à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
O Brasil avalia adotar o princípio da reciprocidade, um dos pilares das relações diplomáticas, e conceder ao norte-americano um visto de uma única entrada, em vez do modelo de múltiplas entradas. Interlocutores do Planalto indicam que o representante dos EUA poderá enfrentar as mesmas restrições aplicadas à diplomata brasileira, a menos que Washington decida rever a situação de Maria Luiza Viotti. A expectativa no alto escalão é aproveitar o momento para buscar uma solução definitiva para a chefe da missão em Washington e construir uma relação mais pragmática com a potência norte-americana.
Histórico de desgaste na relação bilateral
Daniel Perez foi escolhido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em junho do ano passado para ocupar o principal posto diplomático do país no Brasil, vaga que permanece em aberto desde janeiro de 2025. Desde o anúncio, o Palácio do Planalto e a administração americana divergiram sobre os trâmites.
O Itamaraty demonstrou insatisfação quando a Casa Branca tornou público o nome do indicado antes do término das consultas reservadas que antecedem a apresentação formal de um candidato. O mal-estar gerou uma escalada de tensão bilateral. Em agosto, o Departamento de Estado revogou o visto de múltiplas entradas da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, justificando a ação como uma resposta à demora na liberação do aval para Perez. A medida impôs um obstáculo logístico: caso deixe os EUA, a representante precisará de uma nova autorização para retornar.
Entenda o processo de agrément
Antes de assumir funções oficiais, todo embaixador precisa receber o agrément, que consiste em uma autorização formal do país hospedeiro. Sem essa chancela, o processo de nomeação é interrompido.
Durante essa fase, os governos examinam o histórico e o perfil do profissional, ponderando também que esses representantes desfrutam de imunidades e privilégios diplomáticos. No Brasil, a análise desses pedidos estava suspensa por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período eleitoral. Com o fim da disputa nas urnas, os processos foram desbloqueados. Pelas normas internacionais, qualquer nação tem o direito de conceder ou recusar o agrément sem precisar justificar sua decisão.






