A safra brasileira de soja 2026/27 pode registrar uma quebra de aproximadamente 10% caso um El Niño forte se confirme no país. A estimativa consta em um estudo divulgado pela Serasa Experian, indicando que a colheita total pode encolher de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas.
Impacto do clima nas lavouras e avanço do plantio
O Brasil é atualmente o maior produtor e exportador mundial do grão. O levantamento aponta que a projeção inicial considera uma expansão de 900 mil hectares na área plantada, alta de 1,8% em relação ao ciclo anterior, alcançando 49,9 milhões de hectares. No entanto, a combinação de temperaturas elevadas e escassez de chuvas pode comprometer o rendimento das plantações.
Enquanto o Centro-Oeste lida com a ameaça de seca, o Sul do país enfrenta o problema oposto. O excesso de precipitações tem dificultado o andamento dos trabalhos agrícolas na região sulista. Dados da AgRural indicam que 40% da área prevista para o cultivo já havia sido semeada até o final de outubro.
Mudança nos riscos climáticos e o papel do Centro-Oeste
As maiores baixas produtivas devem se concentrar na região Centro-Oeste. O estado de Mato Grosso pode sofrer um recuo de 9,7 milhões de toneladas na colheita, enquanto Goiás tende a registrar uma redução de 4 milhões de toneladas.
Segundo Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, os perigos associados ao fenômeno entram em uma nova fase à medida que o ciclo avança. A preocupação deixa de se concentrar apenas nas condições para o plantio e passa a envolver também a distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras.
“Quando começa a olhar para regiões relevantes, o risco deixa de ser para a implantação, mas como as chuvas vão ser distribuídas… para que o produtor não enfrente redução da produtividade tal como vimos na 2023/24”, explicou o especialista.
Oliveira destacou que os agricultores aproveitaram a segunda quinzena de outubro para intensificar a semeadura, normalizando o ritmo das atividades em território mato-grossense.
“Mas o risco ainda não desapareceu, ainda não conseguimos dizer que a safra 26/27 está livre dos impactos que a gente está discutindo nesse estudo”, alertou.
Prejuízos financeiros e disparidades regionais
Caso a quebra produtiva se concretize conforme o pior cenário projetado, o prejuízo financeiro para o setor produtivo poderá atingir a marca de R$ 33 bilhões, com base nos preços de agosto. Contudo, a retração na oferta global do grão pode impulsionar as cotações internacionais, alterando o cenário de receitas para os produtores.
Os reflexos do clima variam consideravelmente entre os estados. No Rio Grande-do-Sul, por exemplo, a produção tem potencial de subir 5,5 milhões de toneladas, visto que o fenômeno costuma trazer um volume maior de chuvas para o território gaúcho.
No total, a modelagem aponta retração na produtividade em 13 estados, ao passo que apenas quatro unidades federativas podem registrar variações positivas. Estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão também figuram entre os locais que devem sofrer reduções.






