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Fazenda quer focar no centro da meta fiscal em 2027 após admitir escassez de verbas

Depois de admitir falta de dinheiro, Ministério da Fazenda vai mirar centro da meta fiscal em 2027

O Ministério da Fazenda anunciou que apresentará uma medida para perseguir o centro da meta fiscal em 2027. O movimento ocorre poucos dias depois de o governo admitir publicamente a necessidade de cortar R$ 53,7 bilhões. O ministro Dario Durigan deu a declaração nesta terça-feira, 27, em frente à sede da pasta, em Brasília.

Projeções de déficit e regras para 2027

O próprio Executivo enviou ao Congresso um documento detalhando a falta de recursos a partir de 2028. A equipe econômica projeta déficit de R$ 15,8 bilhões naquele ano e R$ 14,9 bilhões em 2029, enquanto o rombo estimado para 2030 atinge R$ 23 bilhões. O Ministério do Planejamento classificou os números como um exercício contábil, embora a conta oficial omita medidas eleitorais recentes da gestão federal.

Atualmente, a meta fiscal de 2027 prevê um superávit primário de 0,5% do PIB, o equivalente a R$ 73,2 bilhões. A regra conta com uma banda de tolerância de 0,25 ponto porcentual para cima ou para baixo. Isso significa que o piso tolerado é um resultado positivo de R$ 36,6 bilhões, limite inferior que historicamente reduz a exigência de esforço fiscal.

Mudança nas travas do Orçamento

A nova proposta do governo consiste em basear eventuais contingenciamentos do Orçamento no centro da meta, em vez de utilizar o piso. Hoje, a impositividade orçamentária dificulta o congelamento de despesas se a regra fiscal estiver dentro da margem de tolerância permitida.

A alteração visa dar segurança jurídica à equipe econômica para facilitar ajustes nas contas. Enquanto alguns avaliam que um Projeto de Lei Complementar será suficiente, outros defendem uma Proposta de Emenda à Constituição. “Vamos dar os instrumentos para que não haja dúvida jurídica de que perseguiremos o centro da meta”, afirmou o ministro, garantindo a manutenção da banda de tolerância.

Reação do mercado financeiro

O anúncio e o cenário econômico geraram forte oscilação após o Ibovespa fechar em queda de quase 14% e o dólar disparar 8% no primeiro dia útil pós-eleição. Durigan minimizou a instabilidade e pediu “racionalidade” aos investidores, atribuindo os números a uma simples realocação de posições.

“É natural que uma troca de posição cause esse desarranjo no mercado”, declarou Durigan, citando conversas estritamente técnicas com agentes financeiros. O ministro observou que o dólar cedeu na manhã daquela terça-feira, 27, interpretando o movimento como sinal de estabilização.

Por fim, o governo informou que o presidente Lula definirá a nova equipe econômica nas próximas semanas. Somente após essa escolha o planejamento detalhado do ajuste fiscal será oficialmente apresentado ao público.

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