A possível participação do deputado federal André Janones na campanha do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez ganhou repercussão após uma reportagem revelar que o político brasileiro, filiado ao Rede Sustentabilidade, teria sido convidado a colaborar com a estratégia eleitoral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que Janones tenha aceitado o convite ou de que a colaboração tenha sido formalizada.
A influência da vitória brasileira na Espanha
A imprensa espanhola tem tratado o tema sob uma perspectiva mais ampla, focando na tentativa do PSOE de se inspirar na campanha que levou Luiz Inácio Lula da Silva à vitória no Brasil. O site espanhol Demócrata afirma que a reeleição de Lula deu novo fôlego à campanha socialista, com Pedro Sánchez traçando um paralelo entre a reviravolta eleitoral do presidente brasileiro e sua própria disputa contra a direita espanhola.
Em mensagem divulgada após o resultado no Brasil, o líder espanhol declarou que “o que aconteceu no Brasil acontecerá também na Espanha”. Os vídeos de Sánchez citando a virada histórica de Lula no segundo turno circulam amplamente nas redes sociais da Europa.
O papel da estratégia digital de Janones
A mesma reportagem destaca o papel desempenhado por André Janones na campanha digital de Lula. O deputado coordenou uma ampla rede de apoiadores reunidos em torno do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que mobilizou milhões de pessoas durante o segundo turno e hoje ultrapassa 10,6 milhões de participantes. Essa tática ajudou a ampliar a presença digital da campanha do petista e passou a despertar interesse em outros partidos progressistas ao redor do mundo.
Cautela da imprensa tradicional diante do cenário
Veículos mais tradicionais da imprensa espanhola demonstram cautela diante das comparações. O conservador ABC descreve o esforço do governo para transformar a vitória de Lula em um símbolo de esperança para a esquerda espanhola, avaliando que Sánchez busca transmitir a ideia de uma possível recuperação eleitoral diante de pesquisas desfavoráveis. Já o portal El Español sustenta que a realidade política espanhola é diferente da brasileira e questiona a tentativa de apresentar a vitória de Lula como um modelo possível de ser exportado.
A discussão revela como a campanha brasileira passou a ser observada além das fronteiras do país. Mais do que um eventual convite ao parlamentar, o interesse espanhol está ligado à capacidade demonstrada pela campanha de Lula de mobilizar eleitores por meio das redes sociais, da comunicação direta e do engajamento de apoiadores em plataformas digitais.
A pouco mais de um mês do pleito na Espanha, praticamente todas as pesquisas publicadas nas últimas semanas indicam que o PSOE melhorou ligeiramente após a convocação das eleições antecipadas de 29 de novembro, mas continua atrás do partido de centro-direita PP de Alberto Núñez Feijóo. A principal dificuldade para Sánchez é que a soma das intenções de voto no PP e no Vox, de direita radical, aparece com maioria absoluta na maior parte das sondagens recentes.






