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Pesquisa tracking do PoderData antecipou empate técnico entre Lula e Flávio em 2026

Tracking PoderData mostrou Lula e Flávio empatados na reta final

O levantamento diário realizado pelo PoderData sobre a corrida presidencial de 2026 revelou um cenário de acirrado empate técnico entre os dois candidatos finalistas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), nos dias que antecederam o segundo turno.

Resultados nos dias finais da eleição Durante os dias 22 e 23 de outubro, que correspondem a uma quarta e uma sexta-feira, ambos os concorrentes registraram exatos 50% dos votos válidos cada um. Já em 24 de outubro, data que marcou o último dia do tracking e a exata véspera do segundo turno, os números apontaram 51% para Flávio contra 49% de Lula, considerando uma margem de erro de 2,3 pontos percentuais.

Previsão alinhada com as urnas Considerando os limites da margem de erro do tracking do PoderData, o petista poderia alcançar no máximo 51,3% dos votos válidos, enquanto o representante do PL atingiria no mínimo 48,7%. Na apuração oficial das urnas, Lula obteve 51,79% e Flávio fechou com 48,21%.

“O resultado do tracking diário do PoderData ficou muito próximo ao que mostraram as urnas em 25 de outubro. Mas mais do que isso: 3 dias antes do 2º turno, todos os assinantes desse serviço souberam que a eleição estava absolutamente empatada, em 50% para cada um dos candidatos. Ou seja, com uma margem e erro de 2,3 pontos percentuais no tracking, tudo estava completamente indefinido. E o resultado ficou exatamente dentro do que mostravam os estudos diários”, explica Mateus Netzel, coordenador das Pesquisas do PoderData.

O funcionamento do tracking eleitoral A ferramenta de tracking consiste em um método dinâmico para monitorar campanhas políticas por meio de consultas diárias de intenção de voto. O sistema utiliza uma média móvel para capturar tendências com alta precisão, entrevistando entre 700 e 1.000 pessoas por dia. O cálculo final é consolidado a cada três dias, descartando a coleta mais antiga assim que um novo lote diário é integrado.

Desafios regulatórios e financeiros Devido a fatores operacionais e econômicos, nenhuma organização realiza o registro desse modelo de pesquisa na Justiça Eleitoral, o que impede a veiculação pública antes do término do pleito. A legislação brasileira exige que qualquer levantamento destinado à publicação seja registrado no Tribunal Superior Eleitoral com antecedência mínima de cinco dias, gerando burocracia e custos com assessorias jurídicas e taxas obrigatórias.

“Imagine quanto custaria um sistema de pesquisas diárias, do tipo tracking? Seria necessário registrar pesquisas todos os dias, com todos os custos envolvidos. É uma pena que seja assim, pois os custos inviabilizam do ponto de vista financeiro os meios de comunicação de publicar esses levantamentos. Mas empresas sérias fazem trackings e oferecem o serviço para grandes empresas que têm interesse no acompanhamento do processo eleitoral. Só que o público em geral não tem acesso. A lei que leva a essa situação talvez devesse ser revisitada pelo Congresso, porque nada garante que uma pesquisa registrada no TSE seja melhor ou pior do que uma não registrada. Aliás, muitas empresas sem muita qualificação podem registrar um levantamento no TSE e maquiar os resultados, que são inescrutáveis”, explica Mateus Netzel.

Obstáculos legais nas coletas tradicionais Mesmo os levantamentos oficiais que passam pelo crivo do TSE enfrentam barreiras operacionais significativas para sua execução nas ruas.

“Em disputas com 10 ou 15 candidatos, a maioria em geral desses políticos é desconhecida. Mas a lei obriga empresas de pesquisa a incluir todos em levantamentos de intenção de voto. Isso mais confunde do que esclarece os eleitores entrevistados. Se uma pesquisa listar só os nomes dos candidatos principais e colocar uma opção ‘outros’, isso pode resultar em multa e invalidação do levantamento”, declara Netzel.

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