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Relação entre Lula e Trump é marcada por tensão e trégua

Da 'ótima química' ao tarifaço: relembre a relação de vaivém entre Trump e Lula

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou nesta segunda-feira (26) a reeleição de Lula. Em declaração a jornalistas, o republicano afirmou que o 2º turno “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem apresentar qualquer indício de irregularidade. Na sequência, no entanto, Trump afirmou “gostar de Lula”.

Fricção comercial e diplomática A relação do presidente brasileiro e do seu par americano, Donald Trump, tem sido marcada por momentos de tensão e trégua. Após uma reaproximação diplomática em 2025, após meses de tensão comercial, o relacionamento voltou a se deteriorar em 2026. Quando Trump foi eleito, em novembro de 2024, o governo brasileiro levou um dia para reconhecer a vitória do republicano. Lula parabenizou o americano em uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, afirmou que “a democracia é a voz do povo e ela deve ser sempre respetada”. Agora, em sua primeira declaração sobre a reeleição de Lula, Trump levantou dúvidas sobre o processo eleitoral.

O histórico de embates e aproximações Os mandatos simultâneos foram marcados pelas diferenças ideológicas, embates diretos e reuniões a portas fechadas — cujos tons variaram entre a animosidade e a busca por conciliação. Depois de um encontro inesperado na Assembleia Geral da ONU em 2025, em Nova York, os dois presidentes conversaram por telefone e se reuniram pessoalmente na Malásia. As negociações foram seguidas pela retirada de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros e pela suspensão das sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2026, porém, o governo americano voltou a aplicar tarifas contra o Brasil e adotou medidas diplomáticas que ampliaram o desgaste entre os países. Washington também criticou a atuação do governo brasileiro no combate ao crime organizado e apresentou exigências relacionadas às eleições brasileiras.

O tarifaço e o início da crise A crise entre os governos começou em julho de 2025, quando Trump anunciou uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, que se somou à sobretaxa de 10% já existente para grande parte das importações americanas no mundo todo. A sobretaxa foi anunciada através de uma carta do republicano ao petista. Para justificar a barreira comercial, Trump citou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitaria ser tutelado por ninguém” e que o aumento unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras seria respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Na mesma época, o governo americano aplicou sanções contra Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, sob a alegação de que o ministro do STF teria agido politicamente no julgamento de Bolsonaro.

Encontro na ONU e diálogo telefônico Em 23 de setembro de 2025, Lula e Trump tiveram um breve encontro durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O republicano disse que teve uma “ótima química” com Lula durante o breve contato. “Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto”, afirmou Trump. Em 6 de outubro, os líderes conversaram por telefone, o que preparou o terreno para o encontro presencial em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro de 2025. Dias depois, o governo americano recuou parcialmente e revogou o tarifaço de 40% em 20 de novembro. “A derrubada da taxa de 40% imposta pelo governo norte-americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”, disse Lula, na ocasião. Em 12 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes foi retirado da lista de sanções da Lei Magnitsky.

Novas tarifas e escalada de atritos em 2026 A aproximação perdeu força em julho de 2026, quando o governo americano impôs novas sobretaxas de 25% e 12,5% sobre mercadorias brasileiras com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Reagindo às barreiras, Lula declarou que “há males que vêm para o bem”. O petista disse acreditar que o Brasil pode, buscando novos parceiros comerciais, sair fortalecido após a medida dos Estados Unidos. “Todos nós, desde que entendemos as primeiras palavras, ouvimos a frase há males que vêm para o bem. Na política, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte”, declarou, acrescentando que “ninguém vai ganhar do Brasil mentindo”. Em agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, motivados por um impasse na concessão de aval a um diplomata americano.

Críticas ao combate ao crime e divergências políticas Em setembro de 2026, um relatório enviado ao Congresso americano acusou o Brasil de falhar no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Lula rejeitou a classificação das facções como organizações terroristas. “Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou o presidente brasileiro. Na mesma semana, veio à tona uma minuta de declaração conjunta exigindo eleições livres e a participação de dissidentes políticos no pleito de 2026, o que gerou suspeitas de interferência estrangeira. Em 21 de setembro, em entrevista à CNN Internacional, Lula intensificou as críticas ao homólogo americano: “Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo. Quando você diz: ‘Eu sou forte, eu sou o maior, eu sou o mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer’… É a chamada lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei”, declarou.

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