O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou uma denúncia na Justiça Eleitoral acusando a Prefeitura de São Paulo de manter em circulação apenas 60% da frota de ônibus neste domingo (25). A medida descumpre uma determinação judicial que exigia 100% dos veículos nas ruas, em patamares equivalentes aos de dias úteis, para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Denúncia formalizada e ameaça de multa
A ordem da Justiça Eleitoral havia sido emitida no sábado (24), estabelecendo que tanto a administração municipal quanto a SPTrans disponibilizassem a totalidade dos coletivos. O descumprimento da norma acarreta multa pessoal no valor de R$ 100 mil destinada ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
Em um ofício enviado ao chefe do executivo municipal, o diretório estadual do partido pontuou que as companhias de transporte estariam operando com desfalque severo. A representação jurídica foi protocolada no âmbito do processo que tramita na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.
O documento oficial, assinado pelo presidente estadual da sigla, Francisco Daniel Celeguim de Morais, demanda ações imediatas para normalizar o serviço de transporte público até o fim da votação, assegurando o retorno dos cidadãos às suas residências.
Relatos de superlotação e paralisação
Eleitores de diversos bairros da capital paulista apontaram transtornos severos e longas horas de espera nos pontos de embarque. No Jaraguá, Zona Noroeste, usuários da linha 971R aguardaram por mais de sessenta minutos.
“Já tem uma hora e dez que não sai nenhum ônibus aqui do ponto final”, afirmou um morador da região.
Informações obtidas junto a funcionários locais indicavam escassez de motoristas e cobradores. Na Vila Zilda, também na Zona Norte, testemunhas registraram veículos ociosos com os condutores do lado de fora.
“Os motoristas desligaram os ônibus e estão todos na rua andando. Não tiene ninguém nos ônibus”, relatou outra pessoa.
A situação também se repetiu na Zona Sul, com aglomerações e escassez de condução na Avenida Ibirapuera, sentido Campo Belo, além de pontos abarrotados na Estrada do M’Boi Mirim, onde passageiros esperavam há mais de quarenta minutos. Até o momento, os registros não confirmam a extensão total do déficit em toda a cidade.
Cobranças e impacto nacional
Diante do cenário, o diretório estadual petista enviou notificações tanto ao prefeito Ricardo Nunes quanto ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A legenda aponta falhas no atendimento em zonas periféricas como o Itaim Paulista, na Zona Leste, além do centro e da Avenida Paulista.
Em relação à gestão estadual, o partido cobrou intervenções no sistema metropolitano, englobando ônibus intermunicipais, linhas do Metrô e trens da CPTM, após relatos de dificuldades na emissão de passagens para o interior e o litoral.
O coordenador nacional da campanha de Lula, Marco Aurélio Carvalho, informou que a legenda avalia solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação em zonas afetadas pela escassez de locomoção, citando também ocorrências em Salvador (BA).
Em nota oficial, a administração municipal declarou que, após a ordem expedida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) no sábado (24), repassou imediatamente as diretrizes a todas as companhias operadoras do setor.






