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Plataforma inovadora rastreia sinais corporais para detectar transtornos mentais

Sinais corporais são usados para descobrir origem de transtornos mentais

Pesquisadores brasileiros passaram a contar com uma avançada plataforma tecnológica chamada MoBILab (Multimodal Brain/Body Imaging Laboratory) para investigar o funcionamento do corpo e do cérebro durante tarefas cotidianas, buscando antecipar o diagnóstico de transtornos mentais.

Como funciona o MoBILab

A tecnologia integra e sincroniza, em tempo real, dados de atividade cerebral, movimentos oculares e respostas fisiológicas. O sistema está sendo aplicado na iniciativa Conexão Mentes do Futuro — também conhecida como Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (BHRC) —, que é considerada um dos maiores estudos sobre o desenvolvimento cerebral do mundo.

Histórico e abrangência do estudo

Liderado por integrantes do CISM (Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental), o projeto acompanha há mais de 15 anos um grupo de 2.500 jovens nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, com o propósito de investigar as origens genéticas e ambientais de patologias psiquiátricas.

O MoBILab já foi instalado no Hospital das Clínicas de São Paulo e no Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A plataforma monitora padrões respiratórios, movimentos corporais, fala, expressões faciais, além de aspectos motores e cognitivos.

Tecnologia multimodal no cotidiano

O equipamento é composto por um capacete de eletroencefalografia (EEG), óculos de rastreio ocular (eye tracking) e uma pulseira que registra sinais fisiológicos. O protocolo de coleta dura cerca de uma hora e meia, período em que os participantes realizam tarefas como desenhar com ambas as mãos, completar sequências, assistir a vídeos e reproduzir sons.

“A atual base de dados já consolida mais de uma década de um histórico de avaliações clínicas detalhadas dos participantes do projeto. Agora, essa tecnologia multimodal será aplicada aos filhos deles”, destaca André Simioni, pesquisador do CISM, que realizou treinamento da plataforma nos Estados Unidos.

O especialista também reforça a importância dessa abordagem intergeracional: “Essa integração nos permite cruzar as trajetórias de vida e os diagnósticos dos pais com as assinaturas biológicas – eletroencefalograma, rastreio ocular e biossinais – dos seus descendentes. Deixamos de depender apenas de autorrelatos ou relatos parentais para observar diretamente como o risco e a resiliência se manifestam fisiologicamente”.

“Esperamos transformar esses dados complexos em conhecimentos que possam antecipar diagnósticos e personalizar intervenções precoces para as próximas gerações”, acrescenta Simioni.

Investimentos e parcerias

A chegada do equipamento ao Brasil ocorreu por meio de uma parceria entre o CISM e o Child Mind Institute (CMI), contando com um aporte de R$ 1,5 milhão da Fapesp e da Stavros Niarchos Foundation (SNF) Global Center.

A plataforma será integrada ao recém-lançado Módulo IV, um núcleo voltado ao avanço da saúde mental que recebeu R$ 22,8 milhões em investimentos da Fapesp e da fundação internacional. O CISM é um Centro de Pesquisa Aplicada sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), reunindo cientistas de diversas instituições acadêmicas do país.

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