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Chuva excessiva no RS destrói hortas e faz preço do tomate disparar

Excesso de chuva no RS apodrece grãos, atrasa plantios e quase triplica preço do tomate

O clima chuvoso e a escassez de radiação solar no Rio Grande do Sul geraram prejuízos superiores a 30% na safra estadual de hortigranjeiros. Diante da quebra na produção agrícola local, os estabelecimentos comerciais precisam buscar itens em outros estados, encarecendo os custos de frete e refletindo diretamente nos valores cobrados dos consumidores.

Prejuízos severos na Região Central Na cidade de Santa Maria, lavouras que deveriam estar prontas para a colheita acumulam perdas significativas. De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), os danos aos produtores locais alcançam a marca de 40%.

Na terra do agricultor Milton Cauzzo, o acúmulo de água invadiu os corredores da plantação. Das 15 mil mudas de alface que resistiram à umidade, várias já exibem manchas, enquanto partes das culturas de pimentão e berinjela sequer conseguiram germinar.

“Nada vem, nada cresce, fica tudo parado. E aí não adianta você adubar, mexer terra. Não seca nada. Nunca foi visto mês de setembro e outubro desse jeito. Torcer pelo tempo. Esperar que mude um pouco”, afirma Cauzzo.

Proliferação de doenças nas lavouras Além da destruição física das mudas, a umidade excessiva compromete a qualidade do solo e estimula o desenvolvimento de patógenos nas plantações. O extensionista da Emater, Leonardo Brondani, alertou que o problema atinge diferentes segmentos produtivos.

“A gente já começa a ter impacto em algumas outras culturas. O próprio pessoal que planta melancia já não conseguiu ter um plantio satisfatório agora no mês de setembro, perdendo áreas com excesso de chuva. Doenças em culturas como morango, mesmo em sistema protegido, em estufas, a umidade em si traz esse aparecimento dessas outras questões nos cultivos também. Então a chance de a gente ter uma redução no fornecimento é bem forte”, disse Brondani.

Reflexos nas prateleiras e alta do tomate A retração na oferta agrícola impacta diretamente o abastecimento comercial. Conforme o vice-presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Eduardo Stangherlin, manter as gôndolas abastecidas tem sido um desafio logístico.

“São produtos que vêm com uma qualidade bem inferior do que a gente era acostumado a trabalhar. A gente vem com o produto de vários lugares do país, eu diria isso. A gente tem melancia que vem de Goiás, tem produtos que nem o tomate que está vindo de São Paulo, mas a gente sabe que São Paulo está com o mesmo problema do Rio Grande do Sul, de chuva. A gente tem repolho que vem de fora também do Rio Grande do Sul”, detalhou.

Levantamento das Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) aponta disparadas expressivas nos valores dos principais hortigranjeiros. O tomate longa vida registrou uma das maiores variações, saltando de R$ 4 para R$ 11,50 o quilo, o que representa um acréscimo de 187,5%.

Orçamento familiar pressionado O encarecimento dos alimentos gera dificuldades para o planejamento financeiro das famílias gaúchas. A técnica em secretariado Sandra Mariani comentou sobre o peso dessas variações: “Isso aí, no final do mês, dois reais, um real. Tu vai no final do mês lá, bota tudo na ponta do lápis, é caro”.

A aposentada Vilma Gonçalves também relata dificuldades para encontrar alternativas viáveis para a alimentação diária. “Na batatinha, quando estava muito caro, eu ia pra um aipim, eu ia pra batata doce, eu ia substituindo. Agora a salada tá complicada, a saladinha verde tradicional, não tem como, né?”, relatou.

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