As regiões de Campinas e Piracicaba enfrentam uma alta expressiva nos crimes de estelionato voltados ao setor habitacional, acumulando uma média de 86 ocorrências policiais todos os dias.
Tipos de fraudes mais comuns
Dados divulgados pela Polícia Civil revelam que, entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizados 20.988 boletins de ocorrência nos departamentos de Polícia Judiciária locais. As artimanhas utilizadas pelos criminosos variam desde a comercialização de propriedades inexistentes ou sem autorização até a falsificação de documentos e assinaturas.
Entre as situações mapeadas pelas autoridades estão a venda simultânea de um mesmo bem para múltiplos compradores, anúncios falsos na internet, o golpe do aluguel, loteamentos irregulares, fraudes em financiamentos, procurações falsificadas, esquemas de regularização de fachada, desvios em heranças e inventários, pagamentos fraudulentos e a afiliação indevida de identidade digital.
O caso do loteamento irregular
O empresário Marcos Eduardo de Barros foi uma das vítimas desse tipo de crime ao assinar, em janeiro de 2021, um acordo para adquirir um terreno de 605 metros quadrados em Elias Fausto. A área era anunciada nas redes sociais com o valor de R$ 600 o metro quadrado e descontos para quitação à vista, contando inclusive com ruas abertas e uma portaria construída.
“Na época, a gente deu 25 mil reais de entrada, só que aí venceu o tempo, a gente conversou com um, conversou com outro e começamos a cobrar. ‘Ah, porque atrasou a obra’, ‘está chovendo demais’ e começou aquela enrolação”, conta.
Posteriormente, ao descobrir um processo judicial ajuizado em 2019 por outro comprador do mesmo empreendimento, ele percebeu que havia sido enganado e buscou as autoridades policiais.
“Fiz boletim de ocorrência na delegacia de Monte Mor, porque além dessa enganação que eles fizeram, isso é crime, isso é estelionato, diz”
Orientações de segurança e prevenção
De acordo com Oswaldo Diez Junior, diretor da Polícia Civil na região de Campinas, a principal estratégia dos golpistas é apressar a vítima para apressar o fechamento do contrato.
“Eu sempre falo o seguinte, nada é tão importante, nada é tão rápido que não demande uma checagem prévia daquela documentação”, conta.
O delegado recomenda uma investigação rigorosa sobre a situação legal da propriedade e do negociador antes de qualquer repasse financeiro.
“Analise as certidões, veja se existe algum débito, veja se aquele bem está desimpedido, veja se aquele intermediário realmente é um intermediário que está registrado no Creci. Tudo isso é fundamental para evitar que se caia no golpe”, explica.
Outro ponto de atenção destacado pela polícia é o destino dos pagamentos.
“Não deposite dinheiro de entrada, dinheiro de parcelas em contas que não são vinculadas ao vendedor”, explica Diez
Medidas jurídicas e o que fazer após a fraude
Caso o cidadão seja vítima de uma fraude, o advogado Haroldo Saboia orienta que, na ausência de acordo amigável, o caminho deve ser a via judicial para pleitear reparações financeiras.
“Depois do boletim de ocorrência, depois das reclamações administrativas, com toda aquela documentação em mãos, aí ela entra na Justiça para tentar pedir um dano material, inclusive um dano moral”, explica.
Aguardando um desfecho na Justiça, o empresário Marcos Eduardo de Barros deixa um alerta definitivo para quem busca adquirir um novo patrimônio:
“Não compre nenhum imóvel que não tenha escritura regular. É o conselho, pode ser o mais barato do mundo, pode ser o mais lindo do mundo. Se ele não tiver um papel para você passar no seu nome e chamar de seu, não caia nessa, é furada”, finaliza.






