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Brasileira luta há quatro anos para reencontrar filho levado ao Egito

'Maternidade arrancada': como brasileira define sentimento na luta para recuperar filho levado ao Egito

Uma mãe brasileira enfrenta uma exaustiva batalha jurídica e emocional para conseguir reaver a guarda de seu filho, levado para o Egito pelo pai sem autorização no segundo semestre de 2022. Próximo de completar oito anos de idade, o menino permanece distante da genitora, que relata profunda angústia pela perda de momentos fundamentais da infância da criança.

O drama da subtração internacional

O caso teve início quando o garoto, que tinha apenas quatro anos na época, foi retirado do Brasil rumo ao território egípcio. Desde então, a moradora de Campinas (SP) iniciou uma complexa disputa em tribunais de ambos os países, acumulando vitórias legais que, até o momento, não resultaram no retorno efetivo do menor.

“Eu não sei o número que meu filho veste, o número que meu filho calça, o desenho favorito dele, o que ele gosta de comer. É como se a minha maternidade tivesse sido arrancada”, declarou Karin Rachel Aranha Toledo.

“Mês que vem o Adam faz oito anos. Quatro anos não são quatro dias, são quatro anos perdidos”, completou.

Decisões judiciais e gastos elevados

Apesar de ter obtido ordens favoráveis tanto no Brasil quanto no exterior — incluindo a decretação de prisão preventiva do pai, a inclusão de seu nome na lista da Interpol e a concessão da guarda à mãe pela Justiça egípcia em novembro de 2025 —, a execução das medidas tem esbarrado em barreiras práticas e na localização do menino.

“Eu tentei de tudo, eu fiz de tudo e eu consegui tudo. E, no fundo, eu não consegui nada”, afirmou.

Além do desgaste psicológico, os custos financeiros da disputa ultrapassam a marca de meio milhão de reais, englobando honorários advocatícios, viagens e despesas logísticas para acompanhar os desdobramentos legais.

Ameaças e falta de segurança

O processo também foi marcado por riscos à integridade física da mãe. Em meados do ano passado, ela precisou ser transferida para a Bélgica com o auxílio de uma instituição após receber ameaças durante sua estadia no Egito. Atualmente no Brasil, ela relata insegurança para retornar ao exterior sem suporte adequado.

“Eu não tenho condições de ir para o Egito e passar o perigo que eu passei da última vez, sozinha. Eu sou sozinha, sou eu por eu mesma. Não vejo nenhum tipo de saída, a não ser esperar o tempo passar e pedir a Deus para que, um dia, ele possa dar a oportunidade do meu filho poder me ver novamente”, desabafou.

“Eu espero que um dia o Adam saiba que ele tem mãe. E que ele teve uma mãe que lutou a todo momento para estar com ele.”

Posicionamento oficial

Órgãos governamentais como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Autoridade Central Administrativa Federal não se pronunciaram sobre o caso até o fechamento da reportagem. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores informou que presta suporte consular contínuo por meio da Embaixada do Brasil no Cairo.

“O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil no Cairo, acompanha o caso desde que foi notificado a respeito, em 2022. A Embaixada presta assistência consular ao menor nacional e a sua família – inclusive sob a forma de auxílio na interlocução com as autoridades locais, visitas consulares, aconselhamento jurídico e facilitação de apoio psicológico – e permanece em contato com as autoridades egípcias”, declarou a pasta em nota oficial.

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