Apontada como líder de um grupo criminoso local conhecido como Massa, Carla Germana Sales, de 35 anos, foi capturada em Fortaleza sob a acusação de comandar a expulsão forçada de moradores na comunidade Barreirão, situada no bairro Cajazeiras.
Investigação policial e histórico criminal
A suspeita foi detida no bairro Messejana em uma operação conduzida pela Polícia Civil, respondendo pelo crime de domínio social estruturado. Durante o interrogatório, ela admitiu conhecer as vítimas, porém rechaçou as acusações e negou usar a alcunha pela qual ficou conhecida, muito embora exiba uma tatuagem com o nome “Bibi” gravada no braço. O histórico da detida inclui passagens por homicídio, roubo, adulteração de veículos, corrupção de menores e integração com organização criminosa.
Recusa de aluguel motivou ataques e ameaças
O conflito teve início quando a suspeita exigiu que duas moradoras, mãe e filha que residiam em casas vizinhas na comunidade, cedessem os imóveis superiores para apadrinhados da organização. A recusa fundamentou-se no receio de novos confrontos armados, uma vez que inquirinos anteriores ligados à facção já haviam transformado o local em zona de tiroteio.
Diante da negativa, a moradora passou a ser intimidada sob a justificativa de que “não estava colaborando com a facção criminosa atuante na região”. Em 20 de outubro, o cenário de terror se concretizou com tiros disparados contra a residência e a aparição de um aviso pichado na fachada exigindo a desocupação imediata em até um dia.
Conflito territorial e resposta das autoridades
A Secretaria de Segurança Pública confirmou o deslocamento forçado de famílias na área, que sofre com disputas territoriais intensas entre a facção local e um grupo de origem carioca. Trata-se da mesma região que registrou, em 2018, a Chacina das Cajazeiras.
A pasta ressaltou que as denúncias recebidas são rigorosamente investigadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e que a corporação mantém um plano estratégico focado nessa modalidade delitiva. “No Ceará, foi iniciado, em julho de 2025, um protocolo integrado entre as Forças de Segurança do Estado para combater a prática, registrada em vários estados do país, e que é parte da forma de atuação de grupos criminosos. Os crimes vêm sendo combatidos a partir do mapeamento, monitoramento e prisão desses suspeitos. Como resultado desse trabalho, de julho de 2025 até agora, 151 capturas por deslocamento foram registradas no estado”, pontuou a secretaria por meio de nota oficial.






