Práticas de manipulação nas contas públicas comparáveis às que marcaram o governo de Dilma Rousseff voltaram a ocorrer no país, segundo declaração do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgada por meio de vídeo nas redes sociais. O magistrado destacou que as despesas realizadas fora do Orçamento já alcançam a marca de R$ 326 bilhões.
Retorno das pedaladas fiscais e impacto internacional
Para sustentar a gravidade da situação, o ministro resgatou seu histórico na Corte de Contas. “Tomei uma decisão muito importante em 2015. Fui relator das chamadas pedaladas fiscais”, recordou, mencionando que na época foram identificados R$ 50 bilhões utilizados sem o aval do Congresso. O magistrado também pontuou que “a presidente Dilma passou por cima do Congresso Nacional”.
“A manipulação lá atrás, nas contas do presidente, volta a acontecer”, afirmou Nardes, avaliando que o cenário atual supera em complexidade o de uma década atrás. O ministro reforçou que o volume de recursos movimentados paralelamente afeta a credibilidade do país perante o mercado externo: “Está colapsando a economia nacional. Está praticamente inviabilizando o país em nível internacional de buscar investidores”.
Alerta sobre o futuro da previdência social
Além das finanças públicas, a gravação abordou a sustentabilidade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao examinar o balanço anual, Nardes mencionou ter feito “uma declaração muito forte” acerca de um déficit superior a R$ 404 bilhões no sistema previdenciário.
O aviso foi direcionado nominalmente aos cidadãos que planejam se inativar futuramente: “Como está, não haverá aposentadoria, porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e que dirá futuramente.”
Contexto histórico e trajetória no tribunal
Integrantes do TCU desde 2005 e ex-presidente da instituição no biênio 2013-2014, o ministro gaúcho ganhou projeção nacional em 2015 ao recomendar a rejeição das contas do governo anterior. O parecer técnico relatado por ele serviu de base para o processo de impeachment que resultou na cassação da ex-presidente em 2016. Na ocasião, Nardes também lembrou dos rombos registrados em fundos de pensão estatais, como Petros e Postalis, e ressaltou que a recessão da época provocou perdas de 8% do Produto Interno Bruto (PIB).






