Agentes da Polícia Militar lotados em Piracicaba, cidade localizada no interior de São Paulo, enfrentam graves acusações de forjar provas durante uma operação de combate ao tráfico de drogas. Familiares dos suspeitos e parlamentares afirmam que três indivíduos foram constrangidos a vestir camisas promocionais da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva momentos antes de serem apresentados formalmente na delegacia de polícia.
O contexto da operação na Comunidade Pantanal
A intervenção policial aconteceu no período da manhã de uma quarta-feira na Comunidade Pantanal. Na ocasião, dois rapazes de 21 e 24 anos receberam voz de prisão em flagrante, enquanto um adolescente de 17 anos foi apreendido e encaminhado posteriormente à Fundação Casa. Os desdobramentos judiciais posteriores incluíram a soltura do suspeito de 21 anos durante a audiência de custódia, ao passo que o outro adulto teve a detenção mantida pela justiça.
Versões opostas sobre as camisas e a conduta
De acordo com a versão apresentada pela corporação, a diligência ocorreu em resposta a uma denúncia anônima via 190. O relato indicava a presença de três indivíduos comercializando entorpecentes e vestindo trajes alusivos ao candidato do PT, sendo que um deles estaria armado. Os registros oficiais apontam a apreensão de um revólver calibre .32 com numeração raspada, além de 160 porções de cocaína e a quantia de R$ 340 em espécie.
Em contrapartida, testemunhas oculares e familiares contestam veementemente o material apreendido e a narrativa policial. A mãe de um dos envolvidos declarou que seu filho atua apenas como usuário de substâncias ilícitas, negando qualquer envolvimento com o tráfico ou com atividades de natureza político-partidária. A mesma familiar também denunciou uma suposta invasão domiciliar acompanhada de agressões físicas direcionadas à sua filha menor de idade. Diante dos fatos, a deputada estadual Professora Bebel formalizou uma representação direcionada especificamente à Corregedoria da corporação militar.
A parlamentar utilizou suas plataformas digitais para criticar duramente a atuação dos agentes durante o episódio:
“O bolsonarismo mais uma vez tentando transformar a política em um jogo de intimidação e armação. E alguns detalhes dessa história chamam a atenção: os três estavam com camisas iguais, novas e aparentemente bem maiores que o tamanho deles. Que coincidência, não?”
Vídeo divulgado e reações jurídicas
As imagens que registraram o momento exato da chegada dos suspeitos à delegacia acabaram gravadas e posteriormente divulgadas nas redes sociais por Guilherme Derrite, senador eleito pelo PL. A repercussão do material motivou a cúpula do Partido dos Trabalhadores a acionar formalmente a Procuradoria-Geral Eleitoral.
A legenda petista solicitou a abertura imediata de inquérito para apurar os fatos, requerendo depoimentos tanto do parlamentar que compartilhou as imagens quanto da mãe dos detidos e dos policiais militares que participaram da ocorrência. A acusação central do partido sustenta que a abordagem teve como finalidade única a fabricação de conteúdo audiovisual falso para gerar repercussão negativa nas redes sociais e prejudicar o pleito eleitoral.
Em nota oficial sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública informou que investigará qualquer apuração referente ao desvio de conduta dos profissionais envolvidos, ressaltando contudo que, até o momento da divulgação, não havia registros formais de irregularidades protocolados sobre essa ocorrência específica.






