O segundo leilão de gás natural da União, programado para ocorrer em 2027, colocará à disposição do setor produtivo um volume de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia. O montante é proveniente da participação governamental nos contratos de partilha de produção do pré-sal.
Expansão da oferta e regras do CNPE A quantidade representa um crescimento de 63% em comparação com a oferta de 1,1 milhão m³/dia disponibilizada ao mercado no certame realizado nesta quinta-feira (22.out.2026) pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), evento que marcou a estreia do formato inédito de comercialização do gás pertencente à União.
O planejamento para os próximos anos segue diretrizes estabelecidas em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Por meio dessas regras, a estatal realizará concorrências anuais focadas no curto prazo entre 2026 e 2030, migrando para modalidades de longo prazo a partir de 2030.
Termômetro para o mercado industrial A revelação sobre o volume previsto para 2027 foi feita pelo presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, em entrevista a jornalistas logo após o encerramento da primeira disputa, que terminou com a venda integral dos 110 lotes disponíveis para 23 companhias pertencentes a cinco segmentos industriais definidos como prioritários pelo Executivo.
Na rodada inaugural, o insumo foi direcionado de maneira exclusiva para atividades de vidro, cerâmica, fertilizantes, siderurgia, metalurgia, mineração, química e petroquímica. A estratégia oficial prevê a inclusão de outras áreas fabris do país nas próximas concorrências, permitindo o acesso direto ao recurso pela primeira vez na história.
Paroli destacou que a rodada inicial funcionou como um indicador importante para mensurar o interesse e a competitividade do parque fabril nacional. A autoridade avaliou que o registro de ágio em quatro dos cinco leilões demonstrou claramente o valor que cada segmento atribui ao insumo energético, componente essencial nos custos de produção.
“A PPSA, que colocou uma margem limitada no seu preço inicial, vai arrecadar mais porque a indústria é capaz de pagar mais. Nós hoje descobrimos qual é a diferença entre o custo que a PPSA tinha e a capacidade de pagamento de cada um daqueles segmentos. Nós conseguimos descobrir que eles são capazes ainda de pagar mais, tanto que a competição levou a isso”, disse Paroli.
Mudança estrutural no setor Antes da implementação do novo modelo comercial, a parcela do gás natural correspondente à União era absorvida majoritariamente pela Petrobras, amparada por acordos antigos e valores menores. Com a mudança regulamentada, a administração federal passa a fornecer o insumo diretamente aos compradores, fomentando a concorrência e buscando a retração nos preços finais.
“Todos esses setores da indústria nacional tinham demanda reprimida. [O resultado do leilão] significa que a competitividade da indústria nacional aumentou hoje, significa que os preços internos vão cair. E significa que a nossa capacidade de exportar vai aumentar, que nossa defesa da importação de produtos estará feita porque a nossa indústria será mais competitiva”, declarou o dirigente da PPSA.






