Autoridades federais dos Estados Unidos desmantelaram um esquema milionário de casamentos fraudulentos em Massachusetts, envolvendo cidadãos brasileiros. A operação, conduzida pelo Departamento de Segurança Interna e anunciada pelo Departamento de Justiça, resultou na prisão de cinco mulheres e em acusações criminais contra seis suspeitas. A rede criminosa organizava uniões de fachada entre americanos e estrangeiros em situação irregular, cobrando valores que chegavam a 40 mil dólares por casamento para viabilizar benefícios migratórios.
Investigação detalha participação de brasileiros Conforme os autos judiciais, brasileiros atuaram em diferentes fases do esquema. Um deles se apresentou espontaneamente às autoridades e confessou ter pago pela fraude. Outro investigado, que acumulava uma ordem de deportação desde 2009, permaneceu no país e acabou se casando com a própria mentora da organização criminosa, Jennifer Gonzalez, moradora de Fall River de 43 anos.
A líder do esquema e as táticas da rede Os promotores apontam que Gonzalez operava a estrutura havia mais de uma década, acumulando milhões de dólares. A organização faturava entre 684 mil e 800 mil dólares anualmente realizando cerca de vinte casamentos falsos por ano. Para ludibriar o Serviço de Cidadania e Imigração, Gonzalez orientava os clientes a forjarem provas de convivência, como contas conjuntas e seguros de vida.
Registros fotográficos e grampos telefônicos O Departamento de Justiça divulgou imagens de cerimônias encenadas com imigrantes brasileiros em 2018 e 2024. Além disso, escutas autorizadas flagraram negociações em que a líder disfarçava os valores cobrados como empréstimos e exigia taxas mensais de 500 dólares para sustentar a farsa perante o governo.
O refúgio em Massachusetts e os investimentos no exterior Nas gravações obtidas pelos investigadores, Gonzalez justificava a atuação criminosa exaltando as políticas locais.
“Massachusetts é o melhor lugar para você estar. Isso é um fato”, declarou Gonzalez, segundo transcrição divulgada pelos promotores.
O lucro obtido com os crimes era enviado para a República Dominicana, terra natal da suspeita, onde ela adquiria imóveis e empresas, acumulando também benefícios federais de assistência alimentar de maneira irregular.
Prisões e desdobramentos judiciais Ao todo, seis mulheres foram denunciadas e cinco acabaram detidas, enquanto a última cumpre pena estadual por porte de arma. As acusações incluem fraude matrimonial e conspiração, crimes cujas penas podem chegar a anos de reclusão. Até o momento, os documentos oficiais não confirmam denúncias criminais formais contra os brasileiros citados na investigação.






