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Mercado quântico pode movimentar até US$ 2 trilhões na próxima década

CEO da Vescent diz ser “Nvidia da quântica” e vê mercado de trilhões

O desenvolvimento da tecnologia quântica tem o potencial de gerar uma atividade econômica estimada entre US$ 900 milhões e US$ 2 trilhões até 2035, de acordo com projeções do comando da norte-americana Vescent. A empresa atua como fornecedora para os principais agentes do setor nos Estados Unidos e posiciona-se no centro de uma disputa global para transformar conceitos científicos complexos em produtos comerciais de larga escala.

Três frentes de expansão e aplicações comerciais

A pesquisa na área é prioridade para o governo de Donald Trump, nações da Europa e centenas de companhias privadas. O avanço ocorre simultaneamente em três frentes principais: computação, comunicação e temporização. Juntos, esses mercados têm perspectiva de alcançar US$ 173 bilhões até 2040, conforme estimativas da companhia sediada no Colorado.

Gigantes como Google, Amazon e Microsoft já direcionam esforços para a computação quântica. Esse modelo de processamento emprega as leis da física quântica para solucionar problemas complexos em segundos. Os novos equipamentos não substituirão computadores tradicionais, mas atenderão demandas específicas dos setores financeiro e farmacêutico.

“Para a computação quântica, esses serão os primeiros clientes”, aponta Scott Davis, ao destacar o uso de relógios atômicos na sincronização de operações da Bolsa de Valores. O executivo também menciona aplicações em materiais para redes elétricas, aviação e na criação de radares e sensores para drones de defesa.

“A computação quântica pode modelar sistemas complexos como o clima, prever o tempo, descobrir materiais para baterias de próxima geração, para abandonarmos os combustíveis fósseis, e descobrir medicamentos para combater doenças”, afirmou Davis a jornalistas da imprensa internacional durante visita à sede da empresa, em Boulder, no Estado do Colorado.

“Além disso, tecnologias quânticas como relógios atômicos de próxima geração podem oferecer estabilidade local para que a internet, a rede elétrica e os comunicações funcionem sem depender de tecnologias espaciais controladas por outros países”, completou o executivo.

A estratégia da “Nvidia da quântica”

Com faturamento projetado em US$ 20 milhões em 2026, a empresa se autodenomina a “Nvidia da quântica”. A tática consiste em fornecer tecnologias de laser, pentes de frequência óptica e sistemas de controle eletrônico que servem de base para toda a indústria, independentemente de qual arquitetura tecnológica venha a prevalecer no mercado.

“As empresas de computação quântica têm avaliações de mercado altas, mas ainda estão sangrando caixa. Vencer não é levantar uma bolada de investimentos ou fazer IPO. Somos fornecedores chave de empresas que somam mais de US$ 40 bilhões em valor de mercado, mas nenhuma delas é lucrativa. Nós somos lucrativos. Somos como a ‘Nvidia da quântica’. Existem muitas modalidades e arquiteturas, e a maioria não vai vencer. Mas como vendemos componentes para todas elas, não importa qual arquitetura vença: desde que dependam de nós, nós vencemos”, declarou.

Geopolítica, defesa e investimentos estatais

O interesse governamental na área tem crescido expressivamente. Além dos Estados Unidos, países como Reino Unido, Austrália, nações asiáticas e a Dinamarca — onde a empresa mantém um escritório — lideram pesquisas estratégicas voltadas à segurança nacional e à criptografia.

“Sou um defensor da Otan, e nossa presença na Dinamarca ajuda a trabalhar com aliados de confiança. Lidar com geopolítica, tarifas e cadeias de suprimentos globais é uma complexidade que precisamos navegar”, diz o CEO.

“A maior parte da criptografia moderna baseia-se em fatorar grandes números. Se você consegue fatorar esses números, pode quebrar dados criptografados, blockchains e segredos de Estado. Isso fez os governos injetarem bilhões nessa tecnologia para garantir que ela permaneça com aliados de confiança. A tecnologia quântica ameaça as comunicações criptografadas, mas as redes quânticas garantem comunicações seguras baseadas nas leis da física. É ao mesmo tempo uma ameaça e uma solução”, afirma Davis.

Diferente da inteligência artificial, impulsionada majoritariamente por recursos privados, o setor quântico conta com divisão quase igualitária entre investimentos públicos e privados. Dados da McKinsey apontam que os aportes governamentais acumulados atingiram US$ 42 bilhões em 2026.

“A IA teve o seu ‘momento ChatGPT’, que liberou um nível absurdo de investimento. O ChatGPT foi um momento transformador que levou décadas para ser construído. A quântica é parecida, mas também diferente, porque os investimentos —dezenas de bilhões de dólares— estão divididos quase meio a meio entre capital público e privado. Governos do mundo todo investem pesado porque não querem ficar para trás”, declarou.

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