A puberdade jamais foi uma etapa simples da vida, mas a presença constante de telas e aplicativos tornou esse período ainda mais desafioso para as famílias modernas. O uso excessivo de smartphones reconfigurou profundamente a maneira como os jovens se relacionam com o mundo e com seus próprios familiares.
O impacto da tecnologia na rotina juvenil
Especialistas no tema ressaltam que as dificuldades atuais superam as de décadas passadas. A pandemia de Covid-19 também exerceu um papel determinante ao interromper o convívio social presencial justamente no momento em que muitos garotos e garotas entravam nessa fase de transição.
Em Recife, uma iniciativa social tenta contrabalançar essa dependência tecnológica ao exigir que os aparelhos fiquem desligados durante as atividades. A meta consiste em desacelerar a rotina e resgatar o contato humano direto.
“Quando eu cheguei eu estava tímido, agora não estou mais tímido”, conta Jemerson, de 12 anos, participante do projeto. “Eu sinto um vínculo.”
Entre a segurança da rua e o confinamento digital
Para diversos responsáveis, o celular funciona paradoxalmente como um instrumento de segurança diante da violência urbana. Essa preferência por manter os filhos confinados no ambiente doméstico intensifica o consumo de conteúdo digital.
“Ele acorda com o celular, ele dorme com o celular, ele almoça com o celular”, relata Cilene, mãe de um adolescente que passa horas diárias diante do visor.
A necessidade típica dessa idade de olhar para o exterior e para a socialização acabou sofrendo um corte drástico com o isolamento, substituindo amigos por interações virtuais.
Conexões familiares e a pressão estética online
A distância gerada pela tecnologia dentro dos lares motivou produções audiovisuais estudantis. No Rio de Janeiro, um curta-metragem retratou justamente os ruídos de comunicação entre mães e filhas influenciadas pelo ambiente virtual.
Além da distância familiar, as redes sociais intensificaram a cobrança por padrões estéticos rígidos. O uso contínuo de filtros e a exposição frequente elevam os riscos de problemas de autoimagem e quadros depressivos.
“Comparação. Principalmente comparação com as amigas, com as redes sociais, com tudo”, resume uma adolescente entrevistada.
Para a educadora e psicanalista Carolina Delboni, a busca por validação tomou proporções exponenciais com a internet.
“O adolescente está procurando aprovação. O que a gente procurava antes no pátio da escola, esse pátio se multiplicou de maneira infinita”, afirma.
Caminhos para o diálogo geracional
Superar os abismos geracionais exige paciência, escuta ativa e compreensão dos adultos em relação ao universo juvenil. Figuras públicas e especialistas reforçam que o acolhimento afetuoso é indispensável para atravessar essa jornada.
“Olhar o adolescente significa olhar com gentileza e afeto”, resume uma das entrevistadas da série.
Diante de algoritmos e telas, cultivar espaços de conversa sincera permanece como o principal recurso para fortalecer os lares e guiar os jovens rumo à vida adulta.






