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Cinco homens são denunciados por tribunal do crime em Viana

Cinco pessoas são denunciadas por sequestrar, amarrar e agredir homem em 'tribunal do crime' em Viana

O Ministério Público denunciou cinco homens por sequestrar, agredir e manter um homem de 28 anos amarrado durante uma sessão do chamado “tribunal do crime” no bairro Bom Pastor, em Viana, na Região Metropolitana da Grande Vitória. Dos cinco investigados, quatro já se encontram presos e um continua foragido da Justiça.

Como o crime foi descoberto A ação criminosa ocorreu em agosto e foi interrompida graças à intervenção da Polícia Militar, acionada por meio de uma denúncia anônima feita ao Ciodes. A tenente Milena, do 17º Batalhão da Polícia Militar, detalhou como foi o resgate no campo de futebol.

“Uma dessas pessoas, ao avistar a polícia, avisou os demais, que logo se evadiram do local. Ficou então a vítima no chão, pedindo socorro para a guarnição. Na ocasião, ela estava enrolada, já a metade do corpo enrolada com fita adesiva”, relatou a policial.

No mesmo dia, os militares efetuaram as prisões em flagrante de Marcos Antonio Alves de Oliveira, de 27 anos, e Regis do Rosário Silva, de 35 anos.

Investigação e reclassificação Inicialmente, o caso foi tratado pelas autoridades como uma tentativa de homicídio. No entanto, após depoimentos da vítima e dos suspeitos, a Polícia Civil concluiu que faltavam elementos para comprovar a intenção de matar, reclassificando o inquérito para sequestro qualificado e associação criminosa.

Conforme o delegado Cleudes Jr., chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa de Viana, a vítima foi levada à força para outra área do bairro e os agressores realizaram uma chamada de vídeo com o chefe do tráfico local para definir a sentença.

“Segundo a própria vítima, o Carlos Alberto não teria determinado a sua execução. Teria falado: ‘Amarra ela, deixa amarrada e deixa ela ir embora'”, explicou o delegado.

Apesar de a ordem não ter sido de morte, o delegado pontuou que o cenário era de extrema gravidade. “Existia um contexto ali de um tribunal do crime. Ele foi julgado pelo tribunal do crime e poderia ter sido condenado, e a execução seria ali mesmo”, afirmou. Ele também reforçou: “Foi só através da denúncia da população que a Polícia Militar conseguiu intervir de forma rápida e precisa e evitar que esse crime acontecesse”.

Motivação e papéis dos suspeitos O conflito teve origem em desentendimentos ligados a relacionamentos amorosos. Julio Cesar Jordão Moté estaria envolvido com a ex-mulher da vítima, enquanto circulavam suspeitas de que a vítima mantinha interesse na atual companheira de Julio Cesar. As discussões resultaram em ameaças mútuas. A vítima, moradora de Cariacica, foi até o bairro Bom Pastor para tentar solucionar o atrito, mas acabou emboscada.

De acordo com o apurado pela polícia, Julio Cesar comprou oito rolos de fita adesiva para imobilizar o homem, com o auxílio de Manrik da Silva. Marcos Antonio atuou alertando o grupo sobre a aproximação das viaturas policiais, e Regis do Rosário gravou vídeos da sessão para enviá-los ao chefe do tráfico.

Lista dos investigados e situação judicial O grupo alvo da denúncia do Ministério Público é composto por:

– Julio Cesar Jordão Moté (conhecido como Julinho), de 26 anos; – Manrik da Silva, de 26 anos; – Regis do Rosário Silva, de 35 anos; – Marcos Antonio Alves de Oliveira, de 27 anos; – Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior (conhecido como Bequinha), de 38 anos.

Marcos e Regis foram detidos em flagrante no dia da ocorrência. Manrik acabou capturado posteriormente em uma operação voltada ao combate ao tráfico de entorpecentes, enquanto Julio Cesar foi preso em outra situação na qual a polícia apreendeu cerca de quatro quilos de maconha.

Apontado como o mandante que orientou a ação remotamente a partir do Rio de Janeiro, Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior segue foragido. A Justiça já determinou a prisão preventiva de todos os envolvidos, que agora respondem à ação penal instaurada pelo Ministério Público.

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