A mansão de Trent Park, localizada no norte de Londres, guarda nos porões uma história fascinante de espionagem que ajudou a alterar os rumos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O local, que recentemente abriu ao público como museu, funcionou durante o conflito como um centro secreto de monitoramento de prisioneiros de alta patente da Alemanha.
O projeto de espionagem em Trent Park Sob a fachada elegante de uma residência aristocrática, o governo britânico instalou um complexo esquema de interceptação de conversas. Thomas Kendrick, dirigente do serviço secreto, percebeu que a mansão reunia as condições ideais para extrair informações valiosas de generais nazistas capturados, que acreditavam estar seguros no local.
A estratégia dos microfones ocultos A operação contava com dezenas de aparelhos de gravação escondidos em vasos de plantas, luminárias, árvores e até na mesa de bilhar. Os fios levavam diretamente às salas de escuta no porão, onde agentes monitoravam os prisioneiros dia e noite.
“A mansão inteira e o bloco das cocheiras foram equipados com microfones”, disse a historiadora Helen Fry, autora de The Walls Have Ears à BBC.
A ilusão de segurança dos prisioneiros Para baixar a guarda dos oficiais alemães, a mansão oferecia tratamento privilegiado, com biblioteca, criados pessoais e passeios monitorados. Os prisioneiros também recebiam a visita de um falso lorde escocês criado pelo serviço secreto.
“Ele recebeu o nome de uma destilaria de uísque”, brinca Fry.
Refugiados judeus na operação Com o crescimento da demanda, o serviço britânico recrutou refugiados judeus que falavam alemão para decodificar gírias e jargões militares. Ernst Lederer foi um desses agentes, mantendo o trabalho em sigilo até o fim da vida, sem que sua própria família soubesse.
“A mulher dele achava que ele fazia parte da Home Guard, a força britânica de defesa local. Na verdade, ele ia cumprir longos turnos em Trent Park”, disse à BBC a neta de Lederer.
Revelações vitais e o legado As escutas revelaram detalhes cruciais sobre as armas secretas de Hitler, como os foguetes V-2, permitindo bombardeios estratégicos que atrasaram ataques contra Londres. Além disso, as gravações registraram relatos sobre o Holocausto, cujos detalhes eram pouco conhecidos na época.
“Trent Park e os outros dois centros da rede nos prepararam para a Guerra Fria de maneiras que ninguém percebeu, ou compreendeu de fato até agora”, conclui Fry.






