Uma onda de violência brutal contra cães em Divinésia, município localizado na Zona da Mata mineira, tem gerado pânico e indignação entre os moradores locais desde o mês de setembro.
Série de ataques e investigações em andamento
Os episódios macabros envolvem suspeitas de envenenamento, atropelamentos intencionais e até mesmo mortes provocadas por golpes de faca. O caso mais recente foi descoberto no dia 11 de outubro, quando um cachorro foi localizado em estágio avançado de decomposição, apresentando indícios de ferimentos causados por instrumento cortante.
Conforme apontamentos de um grupo de proteção animal, este seria o quarto óbito registrado em um intervalo de aproximadamente um mês. Além das mortes, pelo menos outros seis cães foram encontrados com cortes espalhados pelo corpo e mais dois casos levantaram suspeitas de envenenamento na região.
Ação oficial e mobilização popular
Diante da gravidade da situação e da forte comoção gerada na comunidade, representantes da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente divulgaram um vídeo no final de setembro informando que a Administração Municipal protocolou um pedido de inquérito junto à Polícia Civil.
Um boletim de ocorrência foi formalizado na Polícia Militar, repassando a investigação para a 16ª Delegacia de Polícia Civil de Ubá, que já apura as denúncias do mês anterior. No entanto, o caso do animal encontrado no dia 11 de outubro ainda não havia sido oficialmente registrado perante as autoridades policiais. O Ministério Público informou que a 1ª Promotoria de Justiça de Ubá ainda não recebeu nenhuma notícia sobre o ocorrido.
Relatos de mutilação e histórico judicial do município
A ONG Guardiões dos Animais, sediada em Senador Firmino mas com atuação em Divinésia, denunciou que alguns dos casos envolvem severas mutilações e lesões corporais nos animais. Um boletim de ocorrência de setembro chegou a citar um suspeito, mas a autoria não foi confirmada e ninguém foi preso durante o patrulhamento.
Para pressionar por justiça, os moradores elaboraram um dossiê com dados e registros fotográficos de pets atingidos, como a cadela Raposinha, socorrida após suspeita de envenenamento, e o cão Cabeção, atropelado nas proximidades de uma praça pública.
Historicamente, o município já enfrenta cobranças judiciais relacionadas à causa. Em 2022, a Prefeitura foi alvo de uma sentença desfavorável após ação movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por omissão em políticas públicas de controle populacional e assistência aos animais.
A decisão judicial obrigou a administração a realizar castrações gratuitas em pelo menos 10% da população de cães e gatos anualmente, fornecer atendimento veterinário de rua, proibir o extermínio como controle populacional e estruturar um banco de dados com cadastros de saúde e vacinação antirrábica.
A Prefeitura de Divinésia foi procurada para esclarecer o cumprimento dessas exigências, mas não enviou respostas. A recomendação oficial repassada à população é de que qualquer suspeita de crime seja imediatamente denunciada à Polícia Militar.






