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Mães relatam trauma de crianças feitas reféns em creche de Curitiba

‘Não quero mais ‘pou-pou’’: mães de crianças feitas reféns em CMEI de Curitiba relatam como filhos reagiram ao trauma

Insalônias, pavor repentino e lembranças constantes da violência marcam a rotina de crianças que passaram cerca de três horas e meia mantidas como reféns dentro de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) na capital paranaense na última sexta-feira (9). Os relatos emocionados de familiares revelam o impacto psicológico sofrido pelos pequenos após a invasão criminosa na unidade de ensino.

Invasão durante festa infantil e risco de incêndio

Treze alunos participavam de uma comemoração festiva vestidos com fantasias típicas para o Dia das Crianças quando um indivíduo portando uma faca invadiu o estabelecimento situado no bairro São Braz. Conforme informações repassadas pela Polícia Militar do Paraná (PM-PR), o agressor ainda espalhou combustível por dependências internas do prédio e ameaçou atear fogo no local.

A mãe Giovana Lima relatou que a roupa do seu filho de 3 anos, que vestia uma fantasia do Homem-Aranha, estava impregnada com odor forte de gasolina no momento do resgate. Além da dificuldade para pegar no sono, o menino passou a repetir expressões associadas ao episódio de terror vivido na creche.

“Para dormir, ontem ele não quis. Ele veio mais para perto de mim e ficou repetindo as palavras de ‘janela’, ‘o homem bateu no amiguinho’, ‘pou, pou, eu não quero mais pou’. O ‘pou’ dele são os tiros, né?”, contou Giovana Lima.

Comportamento acuado e medo de portas fechadas

Outra familiar, Camila Silva, destacou alterações drásticas na rotina da filha de 2 anos e 11 meses após o resgate policial. A menina desenvolveu fobias repentinas relacionadas ao isolamento em ambientes fechados dentro da própria residência.

“Ela tá muito apavorada. Não sei se vou mandar ela para a escola porque ela fecha as portas, fala pra gente ficar bem quietinho, grita, chores”, relatou Camila Silva.

Negociação e desfecho da ocorrência policial

O cerco policial mobilizou equipes especializadas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para o gerenciamento da crise. O suspeito permanecido sentado no solo com uma criança no colo enquanto as tratativas avançavam sob tensão e instabilidade emocional crescente.

A área externa permaneceu isolada com forte aparato de segurança, incluindo suporte aéreo de aeronave da corporação, enquanto os demais estudantes que ocupavam salas distantes foram evacuados em segurança. A intervenção culminou na libertação de todos os 13 reféns sem registros de ferimentos graves.

Rede de apoio e assistência psicológica às famílias

Diante do cenário crítico, a administração municipal mobilizou equipes de suporte psicológico para prestar atendimento direcionado aos alunos, responsáveis e funcionários impactados pelo incidente na instituição de ensino.

Em comunicado oficial emitido aos finais de semana, a Prefeitura de Curitiba assegurou que avalia novas diretrizes estratégicas voltadas ao incremento da vigilância e proteção nos estabelecimentos educacionais da rede pública local.

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