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Por que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é negra?

Por que Nossa Senhora Aparecida é negra? Veja o que explica a cor da imagem da Padroeira do Brasil

A imagem de Nossa Senhora Aparecida, santa Padroeira do Brasil, desperta curiosidade há séculos não apenas pela sua importância religiosa para milhões de fiéis, mas também por causa de sua marcante pele escura. Encontrada por pescadores nas águas do Rio Paraíba do Sul em 1717, a escultura acumula mais de 300 anos de transformações físicas, materiais e culturais em solo brasileiro.

Origem em terracota e pintura original Feita de terracota — uma espécie de argila cozida —, a escultura tem autoria não confirmada, embora especialistas frequentemente a atribuam ao Frei Agostinho de Jesus, religioso que atuava na produção de arte sacra no período colonial. A historiadora Tereza Pasin aponta a possibilidade de a peça ter sido moldada com argila vinda da região de Santana de Parnaíba, no interior paulista.

Estudos indicam que a escultura possuía pintura em sua fase inicial, mas os registros históricos divergem sobre como era exatamente a sua aparência no passado, trazendo menções a cores como morena e parda escura.

A influência da água e da fumaça na cor da santa Duas hipóteses principais tentam explicar por que a imagem adquiriu a tonalidade escura que conhecemos hoje. A primeira envolve as condições físicas enfrentadas pela peça, já que o contato prolongado com a água barrenta e a lama do Rio Paraíba do Sul pode ter danificado a pintura original e modificado a superfície do material.

A segunda teoria está ligada ao uso contínuo de velas e candeeiros nos antigos locais de oração. Durante décadas, a exposição constante à fumaça e à fuligem pode ter escurecido ainda mais a escultura de terracota. A pesquisadora Rachel Abdala ajuda a contextualizar essa trajetória, embora os historiadores reforcem que nenhuma das duas teses isoladas representa uma conclusão definitiva sobre todas as mudanças sofridas pela peça.

O encontro milagroso no Rio Paraíba do Sul Conforme a tradição da Igreja Católica, a descoberta ocorreu em outubro de 1717, quando três pescadores tentavam obter peixes em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Após várias tentativas frustradas, um deles fisgou o corpo da pequena imagem e, logo depois, achou a cabeça. Ao juntarem as partes, os homens conseguiram pescar uma grande quantidade de peixes, dando início à forte devoção que transformou a santa na Padroeira do Brasil, celebrada anualmente em 12 de outubro.

Identidade, representatividade e o atentado de 1978 Para além das discussões materiais, a cor da imagem ganhou um forte simbolismo de acolhimento e pertencimento para muitos devotos, dialogando também com as reflexões sobre a presença da população negra na história do país.

A trajetória da escultura também passou por momentos dramáticos, como o atentado sofrido em 1978, quando foi reduzida a mais de 200 pedaços. A peça passou por um meticuloso processo de restauração para recuperar sua estrutura original, garantindo a preservação de um dos maiores patrimônios da fé católica no Brasil.

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