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Desigualdade urbana potencializa danos de temporais em comunidades vulneráveis

Desigualdade urbana agrava efeitos de eventos climáticos extremos

A disparidade na distribuição de investimentos públicos e infraestrutura intensifica as consequências de temporais e desastres climáticos sobre as comunidades de menor renda. Populações que habitam regiões periféricas e moradias frágeis lidam com uma vulnerabilidade acentuada diante de enchentes, além de encararem barreiras expressivas para restabelecer suas rotinas após as tempestades.

O contraste entre regiões metropolitanas

Conforme apontado pelo professor Jeferson Tavares, vinculado ao Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, a escassez de iniciativas habitacionais e de geração de renda empurra os núcleos familiares vulneráveis para zonas ambientalmente de risco. A cidade paulista de Ribeirão Preto ilustra essa dinâmica por meio do abismo estrutural entre as zonas Norte e Sudoeste. O direcionamento de recursos para áreas com maior poder aquisitivo deixa os moradores da zona Norte, de perfil socioeconômico mais baixo, altamente desamparados frente às intempéries.

“Todos estão expostos aos riscos mas, onde você tem maior concentração de riqueza, os riscos têm menor incidência, e onde você tem menor concentração de riqueza, os riscos têm maior incidência“, afirmou Tavares.

Urbanização e o ciclo de vulnerabilidade

O modelo de desenvolvimento urbano predominante no país, caracterizado pela priorização de veículos particulares, avanço da impermeabilização do solo e ocupação de ecossistemas frágeis, também foi conectado por Tavares ao agravamento das crises meteorológicas. Conforme o especialista, a simples restauração de estruturas destruídas sem uma revisão profunda desses paradigmas mantém os centros urbanos suscetíveis a novos colapsos.

Como contraponto a essa realidade, o pesquisador aponta a urgência de direcionar recursos para estratégias de infraestrutura verde e azul, além de apostar em medidas de adaptação fundamentadas na preservação ecológica. A gestão de riscos nos municípios precisa abranger a articulação entre transportes, saúde pública, ensino e manejo de resíduos sólidos.

Para assegurar a eficácia das intervenções, as estratégias devem respeitar as especificidades locais e garantir o envolvimento ativo da comunidade residente nas áreas afetadas.

“É fundamental que todos esses planos tenham um período de escuta e discussão das soluções com a população afetada”, declarou.

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