O papa Leão XIV expressou forte preocupação com a segurança infantil na América do Sul ao criticar duramente a violência contra menores durante uma passagem por Casavalle, uma região de baixa renda na capital uruguaia. A área é amplamente conhecida por sua alta taxa de criminalidade e confrontos armados ligados ao tráfico de entorpecentes, marcando o segundo dia de um roteiro de 12 dias pelo continente.
Desigualdade social e criminalidade no Uruguai
O deslocamento do pontífice até a comunidade exigiu uma operação massiva de segurança, mobilizando milhares de agentes nas ruas. Em um palanque montado junto à paróquia local, o líder da Igreja Católica abordou o impacto do medo no cotidiano das famílias locais.
“Não podemos ignorar que há crianças no Uruguai que deixam de ir à escola por medo de não voltar para casa”, afirmou Leão XIV.
O papa prosseguiu com as críticas sociais, mencionando a falta de recursos básicos para as famílias da região, cujo índice de homicídios alcança 41,7 por cada 100 mil residentes — um patamar quadruplicado em relação à média nacional.
“Não podemos ficar de braços cruzados quando sabemos que uma mãe não tem condições de alimentar os próprios filhos”, disse o papa.
“Uma criança deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir com fome. Também não deveria deixar de ter acesso à educação e a um futuro digno por causa da insegurança nas ruas”, acrescentou.
Estatísticas do Unicef apontam que 40% dos menores de idade no país enfrentam situação de pobreza. Na ocasião, o líder religioso abençoou 12 habitações populares financiadas pela instituição e conversou com moradores afetados pela instabilidade e pelos tiroteios constantes, impulsionados pela transformação do território em rota de escoamento de cocaína.
Tecnologia, família e fé na América Latina
Em agenda realizada no Estádio Centenário, perante uma multidão estimada em 60 mil pessoas, o papa direcionou suas advertências para os desafios contemporâneos, alertando sobre os perigos da desumanização atrelada ao avanço da inteligência artificial e defendendo a primazia humanizadora sobre os algoritmos.
No mesmo evento, o pontífice estimulou o matrimônio e a natalidade, abordando a queda na taxa de fecundidade regional, que caiu de 5,8 filhos por mulher em 1950 para 1,8 em 2024.
“Jovens, tenham coragem de dar esse passo, casando-se e formando uma família. Não tenham medo do ‘para sempre’!”, afirmou.
“Abram suas casas à vida, mesmo quando o mundo disser que um filho é um peso”, disse.
A viagem apostólica também incluiu uma missa em Paysandú, onde o líder católico elogiou o hábito local do chimarrão. O roteiro internacional prevê ainda uma parada na cidade de Florida antes do prosseguimento da jornada rumo à Argentina, nação natal do antecessor Francisco.






