Uma mulher trans de 38 anos foi indiciada pela Polícia Civil sob acusação de exercício ilegal da profissão após realizar intervenções estéticas invasivas sem possuir a devida formação ou registro profissional adequado. A investigada acumulava mais de 20 mil seguidores nas plataformas digitais, espaço onde exibia rotineiramente os resultados das intervenções aplicadas nos clientes.
Investigação e atuação em múltiplos estados Conforme apurado pelo 7º Distrito Policial de Santos, no litoral paulista, a suspeita atuava na divulgação, promoção e execução de técnicas como harmonização corporal e facial, além de preenchimentos com ácido hialurônico, aplicação de toxina botulínica e uso de bioestimuladores.
Apesar de ser esteticista de formação, a mulher se passava publicamente por profissional habilitada para realizar tais procedimentos. As diligências conduzidas pela corporação confirmaram a ausência de qualquer registro válido junto ao Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região (CRBM1). Até o momento do encerramento desta apuração, a defesa da investigada não foi localizada.
Atendimentos domiciliares e conexões com famosos O raio de atuação da suposta profissional não se restringia à Baixada Santista, abrangendo também a capital paulista e o estado do Rio de Janeiro. No ambiente virtual, ela alardeava o atendimento a pacientes com visibilidade pública, a exemplo da atriz Andressa Urach. Acionada pela imprensa, a assessoria da artista declarou que ela não vai se pronunciar sobre o caso.
Durante as diligências, as autoridades policiais localizaram postagens que exibiam insumos controlados sanitariamente e com exigência de receita médica. Os registros indicavam que os atendimentos ocorriam tanto em domicílio quanto em um espaço comercial voltado à estética.
Cumprimento de mandados e apreensões A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) comunicou que a ordem de busca e apreensão foi executada em uma sexta-feira (6). A ação policial mobilizou equipes em dois endereços situados em Cubatão e em uma clínica localizada em Santos.
Nos locais fiscalizados, os agentes recolheram diversos itens, incluindo medicamentos, substâncias para injeção, seringas, papéis diversos, duas máquinas de cartão de crédito e dois telefones celulares. A operação policial constatou a existência de uma estrutura plenamente montada para a execução de procedimentos estéticos de natureza invasiva.
Situação jurídica e próximos passos Após ser conduzida ao 7º DP, a investigada foi liberada por não estar em situação de flagrante delito, devendo responder ao processo em liberdade pelo crime de exercício ilegal da profissão.
As autoridades destacaram que a investigação comprovou a prática reiterada de atividades privativas da área da saúde sem a devida qualificação legal exigida para os procedimentos divulgados, conduta que ultrapassa as atribuições permitidas a um esteticista.
Todo o material recolhido passará por exames periciais para checar origem, validade, autenticidade, condições de guarda e conformidade com as normas sanitárias. Caso sejam encontradas irregularidades adicionais, a mulher poderá responder criminalmente também por produto medicinal irregular.






