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Entenda o choque anafilático, reação extrema que matou Janaína Barbosa

Janaína Barbosa sofreu choque anafilático: entenda a reação alérgica extrema que pode ser provocada por um remédio

Uma resposta exagerada e veloz do sistema imunológico a uma substância pode causar a queda abrupta da pressão arterial e comprometer gravemente a respiração em poucos minutos. Foi exatamente esse quadro de choque anafilático que resultou na morte da ex-apresentadora Janaína Barbosa, de 48 anos, em São Paulo, após a substituição de um medicamento.

Como o organismo reage durante uma crise

O processo envolve células chamadas mastócitos, espalhadas por tecidos como pele e vias respiratórias, que atuam como sentinelas do sistema imunológico. Ao detectarem um elemento considerado perigoso, elas liberam imediatamente compostos inflamatórios, a exemplo da histamina.

Na pele, essa descarga gera placas e inchaço. Nos tubos respiratórios, estreita os brônquios, intensifica a produção de muco e provoca tosse. Já nos vasos sanguíneos, ocorre dilatação e escape de líquido para os tecidos, fazendo a pressão despencar enquanto o coração bate mais rápido para tentar compensar o desequilíbrio.

Vale destacar que anafilaxia é o termo usado para o conjunto da reação, abrangendo tanto os episódios mais brandos quanto os severos. Quando a queda tensional evolui para o colapso da circulação, o diagnóstico correto passa a ser o choque anafilático.

Sintomas múltiplos e principais gatilhos

Em mais de 90% dos casos, a pele é afetada com vermelhidão, coceira, urticária e edemas. Contudo, o quadro costuma ir além, manifestando-se por falta de ar, sensação de fechamento na garganta, episódios de vômito, dores abdominais, tontura e desmaios.

Essas manifestações podem surgir de segundos a horas após o contato com o agente causador. Inclusive, existem situações em que as manchas cutâneas não aparecem, o que acaba atrasando o reconhecimento do problema.

Alimentos, picadas de insetos, látex e remédios encabeçam a lista de gatilhos mais frequentes. Enquanto nos pequenos predominam as comidas, revisões científicas apontam que entre os adultos os medicamentos ocupam o primeiro lugar, com destaque para antibióticos e anti-inflamatórios.

Dados apresentados à Câmara dos Deputados mostram que os fármacos representaram 25,3% das ocorrências no país, sendo 10,8% devidos a anti-inflamatórios e 4,4% a antibióticos. Enquanto algumas reações decorrem de uma sensibilização prévia do organismo, outras ocorrem porque a própria substância ativa os mastócitos de forma direta, sem exigir histórico alérgico. Fatores como exercício físico, estresse, consumo de álcool e uso simultâneo de outras drogas podem intensificar o quadro.

Conduta de emergência e tratamento hospitalar

A intervenção prioritária para reverter a crise consiste na aplicação de adrenalina diretamente no músculo, de preferência na face lateral da coxa, logo que a anafilaxia é identificada. Anti-histamínicos e corticoides atuam apenas como complementos e não substituem a substância principal.

Paralelamente à aplicação, é fundamental acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192 ou encaminhar o indivíduo rapidamente ao pronto-socorro mais próximo. No ambiente hospitalar, o protocolo envolve suporte com oxigênio, administração de soro intravenoso e monitoramento constante.

Mesmo após a estabilização, o paciente deve permanecer sob supervisão médica, pois os sinais podem retornar horas depois. Essas ocorrências, conhecidas como reações bifásicas, acometem cerca de 10% dos pacientes entre 8 e 12 horas após o início do incidente.

Investigação posterior e cenário no Brasil

A recuperação de um episódio de anafilaxia exige encaminhamento imediato a um alergologista, profissional responsável por identificar o agente causador, mensurar o risco de novas crises e orientar sobre a prevenção e condutas futuras. Quando o gatilho envolve farmácos, a investigação também apura quais outras opções terapêuticas podem desencadear a mesma resposta alérgica.

No Brasil, a real dimensão do problema ainda carece de visibilidade. A falta de critérios diagnósticos amplos gera subnotificação e retardo nos atendimentos. Especialistas reforçam a necessidade de um registro nacional e da notificação obrigatória dos episódios, enfatizando que a agilidade na administração da adrenalina é o fator determinante para salvar vidas.

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