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Gerdau encerra produção de aço em Divinópolis e afeta milhares de negócios

Gerdau: fim da produção de aço em Divinópolis pode afetar 2 mil empresas; comerciantes relatam prejuízos

O encerramento das atividades siderúrgicas da Gerdau em Divinópolis, município situado no Centro-Oeste de Minas Gerais, traz forte apreensão para a economia regional e ameaça a sobrevivência de mais de duas mil empresas instaladas nas imediações da planta fabril, concentradas principalmente nos bairros Interlagos e Porto Velho.

Impacto direto no comércio e serviços

Dados divulgados pela prefeitura apontam que 93% desses empreendimentos impactados indiretamente são microempresas, englobando prestadores de serviços, transportadoras, comércios variados e fornecedores estratégicos. O anúncio da paralisação, oficializado pela companhia na última terça-feira (3), resultou na dispensa imediata de 280 funcionários diretos, enquanto outros 120 empregados receberam propostas de remanejamento para plantas industriais situadas em diferentes regiões do país.

A justificativa apresentada pela siderúrgica aponta para a perda de competitividade da unidade mineira, impulsionada principalmente pela dificuldade em obter minério de ferro com valores vantajosos, pelo crescimento expressivo das importações do metal no território nacional e pelo cenário desfavorável no comércio internacional.

Prejuízos relatados por empresários locais

Comércios tradicionais que dependiam diretamente da rotina da fábrica já contabilizam perdas financeiras significativas. O empresário Rafael Mechler, dono de um restaurante no bairro Interlagos que fornecia refeições para equipes de empreiteiras ligadas à siderúrgica há mais de duas décadas, precisou colocar sua equipe em aviso prévio após ver a demanda despencar bruscamente.

No mesmo sentido, a empresária Preta Souza, que havia transferido seu estabelecimento para a região há poucos meses para atender trabalhadores e caminhoneiros, lamentou a situação. Isso impacta muito no comércio de Divinópolis, da região. É muito triste saber que tem tantas pessoas que dependiam da Gerdau para sustentar as próprias famílias. É muita tristeza, neste período de Natal, final de ano. Como comerciante da região, estamos muito tristes, declarou.

O setor de transporte também sofre os reflexos da paralisação. O taxista Edison Júnior, que presta serviços voltados a funcionários terceirizados da companhia, relatou que a retração nos chamados já vinha ocorrendo desde julho, panorama que tende a se agravar drasticamente. Eu faço transporte de funcionário, levo para fazer exames admissionais, demissionais, exame periódico, levo para alojamento, rodoviária. Neste segundo semestre, de julho para cá, eu já venho notando que a demanda caiu bastante, já foi ficando menor o serviço. É um tipo de serviço que não deixa de impactar, tanto meu lado financeiro quanto do meu terceirizado, pontuou.

Consequências industriais e fiscais

As projeções da administração municipal indicam que cerca de mil pessoas, somando quadros próprios e terceirizados, possam sofrer os reflexos diretos da medida, montante que representa quase 7,5% dos postos de trabalho na indústria local. Além disso, a unidade responde por até 15% dos repasses de ICMS repassados ao município.

Diante do cenário, a prefeitura anunciou planos para viabilizar um programa de mitigação econômica voltado ao suporte dos negócios e profissionais afetados. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro-Oeste também se manifestou sobre o caso.

Em nota oficial, o presidente da entidade, Eduardo Soares, declarou: Hoje é um dia triste para a indústria e para Divinópolis. O encerramento da produção de aço da Gerdau na cidade representa uma perda significativa para a economia local e, sobretudo, para centenas de trabalhadores e suas famílias que têm seu futuro profissional impactado por essa decisão.

O dirigente acrescentou: Estamos falando de uma indústria com mais de 70 anos de história em Divinópolis, no mesmo endereço, considerando as operações anteriores à chegada da empresa, que ao longo de décadas contribuiu para o desenvolvimento do município, gerando empregos, renda, oportunidades e movimentando uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. Sua trajetória se confunde com a própria história do desenvolvimento industrial da nossa cidade.

Sobre o contexto macroeconômico, Soares destacou: Importante ressaltar que essa decisão também precisa ser compreendida dentro de um cenário internacional bastante adverso para a siderurgia brasileira. A China, por exemplo, enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário, com a desaceleração da construção civil e a consequente redução da demanda interna por aço. Diante desse quadro, os produtores chineses passaram a direcionar um volume crescente de sua produção excedente para o mercado internacional, pressionando os preços e ampliando a concorrência em países emergentes, entre eles o Brasil.

O posicionamento da entidade ainda pontuou os obstáculos estruturais do país: Somam-se a isso os desafios internos, especialmente o elevado Custo Brasil, que encarece a produção e compromete a capacidade de competição da indústria nacional. É um contexto que exige atenção e medidas estruturantes para garantir condições mais equilibradas de concorrência e preservar a capacidade industrial do país.

Por fim, a federação enfatizou o compromisso com os profissionais atingidos: A FIEMG acompanha, há anos, os movimentos e os desafios enfrentados pela indústria siderúrgica e pelo setor produtivo da nossa região. Sabemos que situações como essa não se limitam aos portões de uma fábrica, seus efeitos alcançam trabalhadores, famílias, empresas fornecedoras, comércio e toda a dinâmica econômica do município. Neste momento, nossa preocupação também está voltada às pessoas. É fundamental buscar caminhos para apoiar os profissionais impactados, contribuir para sua qualificação e recolocação no mercado de trabalho. A FIEMG, por meio de sua experiência e de sua estrutura de atuação nas áreas de educação profissional, formação e desenvolvimento industrial, está à disposição para dialogar com as instituições envolvidas e construir alternativas que possam minimizar os impactos dessa decisão. Mais do que lamentar o encerramento de um ciclo tão importante, precisamos unir esforços para cuidar das pessoas, fortalecer a indústria que permanece e trabalhar para que Divinópolis continue sendo uma cidade de oportunidades, trabalho e desenvolvimento.

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