O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (3), data em que os americanos vão às urnas para as eleições legislativas, que o país vai interromper o envio de ajuda financeira a Israel a partir de 2027. A declaração foi feita durante entrevista à emissora americana Fox News, no mesmo dia em que o governo mantém uma aprovação popular de 32%.
Acordo bilateral e fim do financiamento
Segundo o chefe do Executivo norte-americano, a decisão foi tomada em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O pacto prevê o encerramento do repasse anual de US$ 4 bilhões destinados ao aliado no Oriente Médio, quantia que vinha sendo alvo de críticas por parte de políticos democratas e de esquerda durante a campanha eleitoral.
“No que diz respeito aos pagamentos a Israel, Netanyahu e eu chegamos a um acordo de que daríamos a Israel US$ 4 bilhões por ano, e há meses combinamos que iríamos interromper isso. Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos a Israel. Agora, ajudaremos Israel se for necessário”, declarou o presidente.
Até o momento, o gabinete do primeiro-ministro de Israel não emitiu nenhum posicionamento oficial a respeito da declaração pública feita pelo líder norte-americano.
Contexto militar e comercial
Levantamentos da agência de notícias Reuters indicam que o montante citado pelo presidente engloba US$ 3,8 bilhões anuais voltados à assistência militar, cujo pacto vigente tem término programado para 2028. Em declarações anteriores, dadas em maio à CBS, Netanyahu já havia mencionado a expectativa de que seu país alcance a independência econômica em relação ao apoio militar de Washington no prazo de dez anos.
A postura de autossuficiência também foi reforçada pelo premiê israelense em junho, por meio de uma correspondência enviada a um parlamentar dos EUA, na qual pontuou que o momento era propício para o país transicionar de beneficiário para parceiro estratégico.
“Eles podem comprar o que quiserem. A Europa também. Nós fabricamos as melhores armas do mundo”, acrescentou Trump ao falar sobre o fornecimento de arsenal militar para o premiê israelense.
Negociações com o Canadá
Em paralelo ao tema do Oriente Médio, o presidente dos EUA sinalizou que as conversas com o Canadá estão avançadas para a celebração de um novo acordo comercial, após um período marcado por disputas tarifárias mútuas. A tensão comercial gerava insatisfação em estados fronteiriços de maioria republicana, como Maine e Michigan, cenário que vinha sendo explorado pela oposição democrata na corrida eleitoral.
Cenário de apoio político
O desgaste em torno da assistência financeira ocorre em um cenário de queda no respaldo popular a Israel dentro do território norte-americano, sobretudo após o deflagrar do conflito em Gaza no ano de 2023.
Dados divulgados em junho por um levantamento da Universidade Quinnipiac apontam que 48% dos entrevistados — taxa que sobe para 66% entre eleitores democratas — avaliam que Washington exagera no suporte concedido a Israel. O índice representa um salto expressivo frente aos patamares de 16% na média geral e de 20 entre os democratas, registrados quando o instituto mapeou o tema pela primeira vez, em 2017.






