O Ministério da Fazenda descartou a implementação de medidas como o tabelamento da taxa Selic ou a queima de reservas cambiais para proteger o país contra uma eventual fuga de capitais. A declaração foi feita pelo ministro Dario Durigan diante de rumores circulados por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre um possível encontro com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real.
Apesar dos boatos divulgados na imprensa, Durigan afirmou que não existe nenhum encontro marcado entre o chefe do executivo e o economista.
“Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, disse o ministro.
A polêmica em torno das ideias de André Lara Resende
As discussões ganharam força após a circulação de artigos do economista sugerindo alterações profundas na condução econômica, incluindo um novo modelo de coordenação entre as políticas monetária e fiscal para tentar baixar os juros básicos. O plano prevê a criação de um órgão específico para estipular metas de médio prazo e estipula patamares definidos para o custo do dinheiro.
“O BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3,0%, e taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de 5,5% ao ano (3% de inflação mais 2,5% de crescimento)”, diz a proposta.
“Para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano. Este spread de segurança seria periodicamente reavaliado e gradualmente reduzido até ser eliminado”, propõe o economista.
Posicionamento do BNDES e previsibilidade econômica
Aloizio Mercadante, conselheiro próximo durante a campanha eleitoral e coordenador da transição de governo, também reforçou que tais ideias não estão sendo debatidas internamente e que cabe exclusivamente ao presidente estruturar a nova equipe de pastas econômicas.
“Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica. A campanha já terminou, agora o presidente coordena o processo e define as responsabilidades”, disse Mercadante ao g1.
“O governo Lula sempre governou assegurando transparência e previsibilidade da política econômica. O presidente precisa definir as responsabilidades pela economia e caberá a nova equipe construir as equipes e estabelecer os diálogos”.
Críticas ao mercado e defesa do diálogo presidencial
Enquanto o núcleo econômico afasta medidas radicais, alas políticas do Partido dos Trabalhadores saíram em defesa da abertura ao debate. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou as reações negativas do setor financeiro a uma possível conversa entre o presidente e o economista.
“Parece normal que o presidente Lula chame para conversar gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima. Até porque, conversar e procurar entender todos os problemas é uma virtude do presidente. Isso não quer dizer que esses adversários não tenham entendido ainda que Lula não fará o estelionato eleitoral que defendem, alguns em voz alta e com todas as letras”, afirmou a ex-ministra.
A articulação oficial sobre o desenho político do próximo mandato deve ter início iminente, com o término do período de repouso do presidente após a vitória nas urnas.






