Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar o Congresso em uma votação que funciona como um verdadeiro termômetro para a gestão de Donald Trump. O pleito pode alterar o panorama atual, no qual o Partido Republicano detém a maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, colocando à prova a governabilidade da Casa Branca.
Gastos recordes e a influência de bilionários
A corrida legislativa atual entrou para a história como a mais custosa dos Estados Unidos. Os investimentos em propaganda política chegam perto de US$ 12 bilhões, superando os valores aplicados na disputa presidencial de 2024. O empresário Elon Musk destaca-se como o maior doador individual do processo, tendo repassado quase US$ 450 milhões.
“Como são apenas dois partidos, quando o presidente não tem a maioria, não é como no Brasil, que se vai montar uma coalizão de governo. Quando você não tem a maioria, você tem um Congresso que frequentemente é hostil. Nos primeiros dois anos do segundo Trump, ele teve o conforto de governar com uma maioria apertada”, diz Cesar Zucco, professor de Relações Internacionais da Universidade de Columbia.
O impacto do custo de vida e a estratégia republicana
Diante de índices desfavoráveis de aprovação popular, o governo buscou alternativas para influenciar o pleito, incluindo tentativas de restringir o voto pelos Correios e a reformulação de distritos eleitorais por aliados. No entanto, para grande parte da população, a prioridade nas urnas é estritamente financeira.
“Muita gente aqui vota primeiro pensando no bolso”, conta Phil.
“Além disso, a gente vai ter uma batalha política na certificação do resultado, tanto nas assembleias como aqui em Washington, na certificação final. Então, esse processo vai ser um processo muito duro, muito batalhado, muito judicializado”, afirma Mauricio Moura, economista e professor da Universidade George Washington.
Transformações políticas e o futuro institucional
A votação também expõe mudanças profundas na estrutura dos dois principais partidos norte-americanos, impulsionadas pela base popular conquistada por Donald Trump em áreas de menor renda e escolaridade. Enquanto isso, o equilíbrio entre os Três Poderes segue no centro do debate político e constitucional do país.
“Os resultados da eleição em que o Trump foi eleito presidente deram a ele o controle do Senado, o equivalente à Câmara de Deputados. E ele já tinha, por razões históricas de nomeação, uma Suprema Corte muito simpática a ele. Então, você estava no que se chamou a tempestade perfeita. Ele tinha todos os poderes”, afirma José Scheinkman, economista e professor da Universidade Columbia.
“A Suprema Corte tiene imposto um freio lento e seletivo no governo Trump. Ela barra algumas medidas mais ousadas do governo Trump. Em outros vários temas, a Suprema Corte, na verdade, tem expandido os poderes do presidente”, diz Gustavo Ribeiro, professor de Direito American University.
“Era uma Constituição muito genérica, diferente das Constituições das Américas, como a do Brasil, muito detalhista. E, por incrível que pareça, é a falta de detalhes que está fazendo com que Donald Trump opere em uma região cinzenta em diversos temas”, afirma Mauricio Moura.
“Essa transformação não é de agora. Acho que o elemento central de transformação foi Donald Trump. O eleitorado que o Donald Trump trouxe para o partido é um eleitorado muito mais popular, muito mais de baixa renda, baixa escolaridade, concentrado nas cidades pequenas e médias. Isso fez com que o Partido Democrata, de alguma maneira, ficasse isolado às grandes regiões metropolitanas, às regiões com mais escolaridade, às pessoas com maior renda”, diz Mauricio Moura.
O desfecho desta eleição de meio de mandato não definirá apenas o controle das cadeiras legislativas, mas também moldará as estratégias de democratas e republicanos para os próximos anos na política nacional.






