O Sistema Cantareira encerrou o mês de outubro com 51,2% de seu volume útil armazenado, alcançando o segundo melhor índice para o período nos últimos dez anos. A marca divulgada pela companhia de saneamento demonstra uma recuperação expressiva frente a outubro do ano passado, quando os reservatórios operavam com apenas 23,4% da capacidade.
Chuva acima da média e regras de captação
A alta nos reservatórios foi impulsionada por precipitações expressivas ao longo do mês, acumulando 210,8 milímetros, um volume cerca de 62% superior à média histórica estipulada em 130,1 milímetros. Com o índice fechado em 50,69% no último dia útil de outubro, o manancial permaneceu enquadrado na Faixa 2 de operação.
Essa classificação impõe limitações operacionais rígidas para a captação de recursos hídricos. Enquanto o sistema estiver nessa condição de atenção, a retirada permitida é de até 31 metros cúbicos de água por segundo, valor inferior aos 33 m³/s autorizados quando os reservatórios atingem a faixa normal de operação, fixada a partir de 60% da capacidade útil.
Histórico e impacto do El Niño
O controle rigoroso de vazão faz parte de um protocolo implementado após a severa crise hídrica enfrentada entre 2014 e 2015. Desde então, a gestão estabelece que quanto menor for o armazenamento de água, mais restrita se torna a retirada autorizada para o abastecimento público, dividindo-se em faixas que vão de atenção até o estágio especial.
Para os próximos meses, o cenário climático passa a ser influenciado pelo fenômeno El Niño, que tende a provocar chuvas e temperaturas acima da média no Sudeste. De acordo com especialistas, as precipitações devem ocorrer de maneira irregular e em formato de tempestades passageiras.
“Nós teremos chuvas agora durante a primavera e o verão, mas em forma de pancadas. Chuvas intensas em forma de pancadas. Nós estamos mais sujeitos a enchentes, inundações, deslizamentos em cortes”, explicou Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe.
Importância estratégica do manancial
Formado por represas como Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras, o manancial desempenha um papel central na segurança hídrica paulista. O complexo é responsável por abastecer cerca de metade dos habitantes da Região Metropolitana de São Paulo, além de atender municípios de outras regiões estratégicas, como Campinas e cidades das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.






