Manifestações lideradas pela geração Z na Alemanha resultam em roubos de lojas, confrontos com a polícia e debates sobre o custo de vida. Manifestantes mascarados invadiram e roubaram comércios em Frankfurt neste sábado (31), após marchas que reuniram dezenas de milhares de pessoas em exigência por melhorias educacionais e cortes no custo de vida alemão.
O contexto europeu e a articulação do movimento
Os atos ocorrem no escopo de uma onda de mobilizações encabeçadas pela chamada geração Z por toda a Europa. Enquanto na Sérvia estudantes conseguiram derrubar o antigo líder nacional nas urnas, na França as manifestações degeneraram em episódios graves de violência e depredação. No território alemão, a coordenação ficou a cargo da iniciativa “Gen Z regelt”, que se traduz como “a geração Z assume o controle”. Os atos se espalharam por 34 localidades, abrangendo grandes centros como Berlim, Munique e Frankfurt.
Reivindicações e o cenário econômico
A pauta principal do coletivo rejeita o serviço militar obrigatório e cobra aportes financeiros mais robustos na área de ensino, refletindo a angústia de jovens diante do encarecimento geral da vida no país. “Estamos aqui hoje para lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção”, afirmou Lina Friedrich, porta-voz do “Gen Z regelt”, em Berlim, neste sábado. “O que mais importa para nós é um apoio maior aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e defendemos uma distribuição mais justa dos encargos.” As forças de segurança de Frankfurt, Munique e Berlim contabilizaram até 18 mil pessoas nas ruas, o equivalente à metade da estimativa inicial dos organizadores, que projetavam até 182 mil participantes.
Confrontos e episódios de depredação
Em Frankfurt, capital financeira alemã, pelo menos dois comércios foram saqueados no ápice da confusão. Vtrinas estilhaçadas e ataques contra equipes de socorro marcaram o cenário urbano. “Os distúrbios violentos continuam”, disse a polícia de Frankfurt, no X. “No centro da cidade, vitrines de várias lojas foram quebradas. Coquetéis molotov também estão sendo lançados contra os serviços de emergência. Pedimos a todas as pessoas que evitem o centro da cidade ou deixem a região.” Autoridades relataram que, apesar do tom predominantemente pacífico, extremistas infiltraram-se nos atos. Em Hamburgo, barricadas foram incendiadas. O Ministério Federal do Interior apontou a presença de radicais de esquerda e agitadores externos. “Todos temos na memória aquelas imagens da França: saques, casas incendiadas, veículos policiais queimados e ataques a policiais”, disse Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, cuja capital é Frankfurt. “A França não deve ser apresentada como um exemplo nesse sentido.” Lojas de alto padrão na famosa avenida Kurfürstendamm, em Berlim, instalaram tapumes e fecharam as portas mais cedo por precaução.
Críticas ao governo e infraestrutura precária
Os organizadores apontam que a maior economia europeia sufoca as novas gerações. “A única resposta do governo às nossas preocupações foi continuar promovendo cortes e colocando ainda mais encargos sobre nós”, afirmou Steve, de 18 anos, que deveria discursar em um ato em Munique. “Continuaremos exercendo nosso direito fundamental de nos reunir até que vocês parem de nos ignorar.” A Alemanha enfrenta um momento de estagnação econômica, agravado pela aposentadoria em massa da geração “baby boomer” e pela retração da força de trabalho ativa. Paralelamente, dúvidas pairam sobre a verdadeira representatividade da liderança do movimento. A BSK, entidade que representa grêmios estudantis básicos do país, distanciou-se da marcha e agendou um ato próprio para 20 de novembro. Sean Baker, estudante da Universidade Técnica de Berlim, reforçou o descontentamento ao relatar a situação das instalações universitárias. “Quando você entra no prédio e chega às salas, parece que está em um edifício abandonado”, disse ele à Reuters. “Ainda assim, é nesse lugar que esperam que estudemos regularmente.”






