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Lucro da Vale despenca mais de 50% no terceiro trimestre de 2026

Lucro da Vale recua mais de 50% no 3° trimestre

A Vale, uma das companhias de maior peso na B3, fechou o terceiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, conforme apontam os dados do balanço financeiro divulgado na noite desta quinta-feira, 29.

Desempenho financeiro e queda no lucro

O montante obtido pela mineradora entre os meses de julho e setembro revelou um recuo de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o lucro havia alcançado R$ 14,6 bilhões. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, a redução foi de 6%.

De acordo com a corporação, o resultado foi pressionado por operações mais fracas, além de impactos contábeis e tributários. A receita de vendas sofreu baixa de 4% na base anual, atingindo R$ 54,4 bilhões. O desempenho negativo de empresas coligadas e joint ventures também pesou no período. Uma joint venture é uma estratégia por meio da qual duas ou mais empresas se unem para realizar um projeto ou atividade comercial específica, compartilhando custos, recursos, lucros, riscos e prejuízos.

Fatores externos e operacionais

A companhia destacou que o aumento de impostos sobre o lucro, motivado por efeitos cambiais em prejuízos fiscais de subsidiárias, gerou impacto negativo de US$ 276 milhões. A geração de caixa sentiu os reflexos das cotações mais baixas do minério de ferro no cenário internacional, do encarecimento dos custos de produção e frete, e da valorização do real frente ao dólar, o que elevou as despesas internas.

Parte dessas perdas foi atenuada pelos preços mais elevados do cobre e do níquel. O Ebitda ajustado da empresa ficou em R$ 17,095 bilhões, registrando retração de 28% ante o terceiro trimestre de 2025.

“Em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade do nosso portfólio, a estratégia de frete e o programa de hedge contribuíram para proteger nossas margens e sustentar uma sólida geração de fluxo de caixa, fortalecendo ainda mais nosso balanço” afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, em mensagem aos acionistas.

Avanço nas reparações de Brumadinho e Mariana

No balanço, a empresa atualizou o andamento dos processos de reparação referentes aos rompimentos das barragens em Minas Gerais. Cerca de 84% das obrigações do acordo de Brumadinho já haviam sido cumpridas até o terceiro trimestre, com os compromissos classificados como “a pagar” quitados integralmente em outubro.

Em relação a Mariana, o programa conduzido pela Samarco acumulou R$ 83,8 bilhões em desembolsos até 30 de setembro de 2026, com mais de 649 mil pessoas indenizadas até 20 de outubro — sendo 322 mil contempladas pelo Programa Indenizatório Definitivo (PID). Em agosto, mais 19 cidades integraram o pacto, elevando o total para 45 municípios signatários.

As tragédias de Brumadinho e Mariana representam os maiores desastres ambientais e industriais do país. Em 25 de janeiro de 2019, a falha na Barragem B1, da Vale, liberou cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos e causou 272 mortes. Anos antes, em 5 de novembro de 2015, o rompimento da Barragem do Fundão, da Samarco — controlada por Vale e BHP Billiton —, despejou entre 40 e 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos, destruiu vilarejos como Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira, deixou 19 mortos e devastou a bacia do Rio Doce até o litoral capixaba.

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