Legisladores democratas formalizaram um pedido de explicações ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a respeito de uma possível participação de autoridades dos Estados Unidos na saída do senador brasileiro Flávio Bolsonaro do país e em sua posterior entrada em solo norte-americano. No documento enviado, o grupo questiona os critérios de concessão de vistos ao parlamentar e a seus familiares, além de indagar se houve algum tipo de assistência governamental apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal que impedia sua circulação internacional.
Questionamentos sobre a emissão de vistos e documentos
A correspondência aponta que o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e outras representações diplomáticas devem responder por escrito sobre o momento exato em que tomaram ciência da ordem para que o senador entregasse seus passaportes. Os parlamentares também exigem saber se funcionários dos EUA analisaram o teor da decisão judicial antes do embarque.
O texto enviado a Rubio menciona uma publicação do jornal The New York Times veiculada em 27 de outubro de 2026, que detalha a saída de Flávio Bolsonaro após o revés nas urnas na eleição presidencial do Brasil e a violação da ordem de entrega dos documentos. De acordo com o relato citado pelos legisladores, a medida da Justiça brasileira estava vinculada a investigações sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro e outras irregularidades de natureza financeira.
Investigação sobre contatos e suporte logístico
Outro ponto primordial da cobrança é apurar se a administração americana checou a situação jurídica do político antes de liberar vistos ou auxiliar na logística do deslocamento.
“Antes de autorizar ou facilitar qualquer visto ou preparativo de viagem, o Departamento determinou se o senador Bolsonaro estava legalmente autorizado a deixar o Brasil?”, perguntam os congressistas.
Os questionamentos também abordam a possibilidade de contatos diretos ou indiretos entre a Casa Branca, o Departamento de Estado, a embaixada e o próprio senador, seus familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários. Além disso, os parlamentares pedem esclarecimentos sobre eventual suporte logístico envolvendo voos, documentação, transporte, trânsito em aeroportos e agendamentos consulares.
Articulação entre agências federais dos EUA
A carta indaga se houve cooperação com o Departamento de Segurança Interna, com a Alfândega e Proteção de Fronteiras, com o Serviço de Cidadania e Imigração ou com outros órgãos federais acerca da recepção do senador, buscando determinar a cronologia e o escopo de qualquer articulação.
Os parlamentares questionam ainda se o Departamento de Justiça foi acionado para avaliar as repercussões de conceder acesso a uma figura política estrangeira que teria rompido restrições impostas pela Justiça de seu país natal. Até o momento, o governo dos Estados Unidos não apresentou respostas públicas aos questionamentos levantados na carta.






