Três artistas baianas levaram a produção artística do interior da Bahia para a exposição internacional Arts Sans Frontières 2026, realizada na cidade de Ansouis, no sudeste da França. Por meio de fotografias e pinturas, Sol Meira, Rose Fernandes e Aila Fernandes apresentaram obras inspiradas na fauna, na flora e nas paisagens brasileiras, propondo um olhar que vai além dos estereótipos frequentemente associados ao país.
Detalhes da mostra coletiva na França
A iniciativa reuniu pinturas, fotografias e xilogravuras de artistas de diferentes nacionalidades na Salle du Presbytère. O evento teve como principal objetivo promover o intercâmbio cultural e estimular o diálogo entre criadores de diversas origens e o público internacional.
Sol Meira e o alerta ambiental
Natural de Macaúbas, no sudoeste baiano, Sol Meira apresentou a série fotográfica “A Natureza por um Fio”, composta por 10 obras que refletem sobre os impactos da degradação ambiental. As imagens destacam as gavinhas de plantas do gênero passiflora, popularmente associado ao maracujá, após a observação de um incêndio.
“É usar a arte para dar visibilidade a essas questões. A fumaça evidenciou detalhes que normalmente passariam despercebidos. Ao observar aqueles formatos, nós e amarrações, comecei a pensar em como a natureza está cada vez mais ameaçada e, muitas vezes, as pessoas já não percebem isso”, disse a artista.
Rose Fernandes e a força dos biomas
Nascida em Urandi, Rose Fernandes cresceu em um ambiente familiar artístico e especializou-se na pintura em óleo e acrílica. Suas obras retratam a diversidade de biomas como o Cerrado e a Caatinga.
“Eu cresci vendo minha mãe desenhar e pintar. Naquela época havia poucas oportunidades e poucos materiais, mas existia muita vontade. Foi acompanhando isso que eu me aproximei da arte”, relembra.
A artista também destacou os obstáculos superados para alcançar o cenário internacional: “Quem vive no interior enfrenta muitas dificuldades para participar de eventos internacionais. Tudo envolve investimento e planejamento. Mas é muito gratificante perceber o reconhecimento do público, que passa a enxergar o Brasil também pela sua produção artística, e não apenas pelo futebol ou pelo carnaval”.
Aila Fernandes e o novo olhar sobre o sertão
Aos 19 anos, Aila Fernandes, filha de Rose e natural de Guanambi, representa a nova geração de talentos baianos na Europa. Estudante de fotografia, ela levou imagens que buscam ressignificar a visão sobre o sertão nordestino.
“O objetivo é mostrar o sertão para além da visão limitada que muitas pessoas têm da região”, pontua.
A jovem também ressalta o impacto positivo da criação artística: “A arte faz muito bem para a saúde mental. No meu caso, ela me salvou. Além disso, é muito gratificante receber mensagens de amigos dizendo que se sentem inspirados pelo que produzo”.
A participação das criadoras baianas no evento francês reforça a força da cultura do interior do estado e amplia o alcance de narrativas ecológicas e regionais no exterior.






