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Ex-secretário de Guarujá pede demissão após posts contra petistas

Quem é o ex-secretário de Guarujá que pediu exoneração após posts contra eleitores do PT

O advogado Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, no litoral de São Paulo, depois de viralizarem nas redes sociais postagens em que ele sugere que empresários deixem de contratar eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). Além de sua passagem pela administração municipal, ele já tentou ingressar na política disputando as eleições para prefeito e vereador na mesma cidade.

Trajetória profissional e histórico político Formado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e natural de São Paulo, o ex-secretário tem 59 anos e atua há 27 anos em um escritório de advocacia em Guarujá. Como advogado, ele representou judicialmente a família de Fabiane Maria de Jesus, mulher que foi linchada até a morte em 2014 após ser confundida com uma sequestradora de crianças devido a uma notícia falsa disseminada na internet. O processo foi movido contra o Facebook.

No cenário eleitoral, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que Airton Sinto concorreu ao cargo de vereador em 2008 pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC), conquistando uma suplência. Em 2012, tentou a Prefeitura de Guarujá pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), sem sucesso. Já em 2016, disputou novamente uma vaga na Câmara Municipal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ficando novamente como suplente. Em uma de suas redes sociais, ele se definia como “justo com os justos e muito mais justo com os injustos”.

Publicações nas redes sociais Uma captura de tela divulgada pela TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, exibe uma postagem na qual o ex-secretário declara que se recusa a comprar, contratar ou prestar serviços jurídicos a eleitores do PT. Em outra mensagem compartilhada, lia-se: “Não contrate quem ODEIA empresários”.

O material também inclui o print de uma conversa em que uma usuária pedia ajuda para adquirir uma cesta básica. O autor da postagem respondeu que acompanhava a mulher nas redes e que, após ela celebrar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o apoio não seria mais necessário, uma vez que o presidente a teria retirado da situação de pobreza. Outra postagem compartilhada continha termos como “rifinha, vakinha, docinho, bolinho, ajudinha” ao lado de uma alusão a pedir suporte a um “veinho”.

Posicionamentos oficiais e nota de defesa Por meio de nota oficial, a Prefeitura de Guarujá declarou que as manifestações de seu ex-secretário tiveram caráter estritamente pessoal e não refletem a visão do governo municipal. Por sua vez, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Subseção de Guarujá, pontuou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental, mas ressaltou que a discriminação ou a restrição de oportunidades profissionais com base em posicionamentos políticos violam os princípios do Estado Democrático de Direito, exigindo ética e respeito à dignidade humana.

Abaixo, a íntegra da manifestação enviada por Airton Sinto:

“Sou um homem de direita, pai de família, advogado há quase 30 anos, filho de um metalúrgico que iniciou sua vida profissional no ABC paulista, no final da década de 1970. Sou filho de uma mulher que se tornou funcionária pública do Estado de São Paulo na década de 1960. Meus ancestrais vieram da Itália, fugindo da fome e da pobreza, para trabalhar na roça de café, no interior paulista. Portanto, minha origem vem de pessoas honradas, humildes e apegadas a valores da família cristã. Quanto aos fatos recentes, afirmo que, por meio de algumas postagens em rede social, fiz uma análise a respeito da dicotomia que o Brasil enfrenta em relação ao momento político-eleitoral. Expus meu pensamento sem ofensa moral e sem ofensa legal a ninguém, seja de forma individual ou coletiva. Exerci meu direito, constitucionalmente garantido, de livre exposição de minhas opiniões. Não incitei perseguição a ninguém nem incitei violência, seja no âmbito moral ou físico. Quanto à minha opção de não me relacionar, pessoal ou profissionalmente, com cidadãs ou cidadãos ligados à ideologia de esquerda, pode parecer antipática, porém, não apresenta nenhum traço de preconceito ou segregação. Minha posição nesse sentido é exclusivamente no âmbito de minha atividade profissional e pessoal, frisando que há milhares de posicionamentos similares nas redes sociais. Minha opinião, a qual está sendo censurada e utilizada para propagar discursos de ódio em meu prejuízo, foi proferida sem relação com a função de secretário-adjunto de Direitos Humanos na Prefeitura de Guarujá. Estou sendo ofendido e ameaçado por postagens nas redes sociais de forma vil e covarde, a lembrar o caso Fabiane de Jesus, ocorrido em Guarujá no ano de 2014. Por coincidência, sou advogado da família, onde ainda luto, até hoje, para responsabilizar os provedores da rede social por divulgação e manutenção de discursos de incitação à violência que levaram Fabiane a uma morte com requintes medievais de crueldade. Por fim, mantenho minha posição, mantenho minha palavra, sem intenção alguma de ofensa qualquer pessoa. O exercício de minha liberdade de pensamento e posição política, não pode e não será alvo de patrulhamento ideológico, sob pena de ferir o último bastião de nossa combalida democracia.”

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